A Rússia anunciou a intenção de estender o regime de isenção de vistos a todos os países da América Latina e de aprofundar a cooperação estratégica com a região. A declaração foi feita pelo diretor do Departamento de América Latina do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Alexander Schetinin.
Atualmente, 27 dos 33 países latino-americanos já mantêm acordos de isenção de visto com Moscou, e a meta é universalizar esse benefício. Segundo reportagem do RT Actualidad, Schetinin também confirmou que Rússia e Cuba mantêm uma cooperação estreita para ajudar a ilha a superar a crise econômica. Os dois países coordenam medidas conjuntas e discutem formas de aliviar as dificuldades enfrentadas por Havana.
O diplomata russo revelou ainda que representantes de Moscou e Caracas debaterão as perspectivas de uma maior cooperação bilateral durante o Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo (SPIEF). O evento, que ocorre anualmente, se consolidou como uma vitrine do poder econômico russo e um espaço de articulação com parceiros estratégicos.
A ampliação dos laços com a América Latina se insere na estratégia russa de fortalecer um mundo multipolar, contrapondo-se às tentativas de isolamento impostas pelo Ocidente. A região é vista por Moscou como um pilar importante nas novas alianças geopolíticas, com destaque para o BRICS, que conta com o Brasil como membro fundador.
Além da diplomacia de vistos, a Rússia tem investido em acordos comerciais, energéticos e de defesa com vários países latino-americanos. A Venezuela, por exemplo, é um parceiro-chave na área de petróleo, e Cuba recebe apoio logístico e financeiro russo há décadas. A presença russa na região também se reflete no fornecimento de vacinas, fertilizantes e tecnologia, áreas em que Moscou busca ampliar sua influência.
Durante o SPIEF 2026, estão previstas reuniões bilaterais com delegações de vários países latino-americanos, incluindo representantes do governo de Nicolás Maduro. Para analistas, a iniciativa de isenção total de vistos representa um gesto político e prático que facilita o turismo, os negócios e o intercâmbio cultural entre a Rússia e a América Latina.
A medida consolida a presença russa no continente e desafia a narrativa ocidental que tenta isolar Moscou. A relação entre a Rússia e a América Latina remonta à época soviética, quando Moscou apoiou movimentos de independência e governos progressistas na região. Hoje, essa herança se traduz em parcerias estratégicas com governos de esquerda e em uma forte cooperação em organismos multilaterais, como a ONU e o BRICS.
No âmbito do BRICS, a Rússia defende a ampliação do bloco e a inclusão de mais países latino-americanos, o que poderia reconfigurar o equilíbrio de forças global. A Venezuela e Cuba já manifestaram interesse em participar do mecanismo de cooperação, ampliando a influência do Sul Global. O anúncio de Schetinin ocorre em um momento em que a Rússia enfrenta sanções ocidentais e busca diversificar suas parcerias com o Sul Global.
A América Latina, rica em recursos naturais e com mercados consumidores em crescimento, é um alvo natural para os investimentos e a diplomacia de alto nível do Kremlin. A iniciativa visa fortalecer a presença russa no continente e promover a cooperação em diversos setores, desde o econômico até o cultural, reforçando a visão de um mundo multipolar.