Eduardo Paes chega a 71% dos votos válidos no Rio e deve ajudar Lula a ganhar tração no estado

06.03.2026 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante inauguração do Túnel Moacyr Sreder Bastos, em Campo Grande. Rio de Janeiro - RJ. Foto: Ricardo Stuckert / PR

A nova pesquisa do Instituto Paraná Pesquisas para o governo do Rio de Janeiro em 2026 mostra uma consolidação eleitoral avassaladora de Eduardo Paes. O levantamento, registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número RJ-05645/2026, aponta o prefeito da capital com ampla liderança nos dois cenários estimulados.

No cenário amplo de primeiro turno, com todos os nomes na disputa, Paes aparece com 48,3% e fica a poucos pontos de uma vitória já na primeira etapa. O deputado estadual Douglas Ruas, do Partido Liberal, surge muito atrás, com apenas 12,6%.

No confronto direto com Ruas, a distância vira atropelamento. Paes alcança 60,0% das intenções contra 24,5% do adversário bolsonarista, e nos votos válidos a vantagem sobe para 71,01% a 28,99%.

A projeção ganha dimensão histórica quando confrontada com o eleitorado apto do estado, de 12.739.900 pessoas segundo o TSE. Os 60% obtidos no cenário estimulado correspondem a cerca de 7,64 milhões de votos potenciais nas urnas fluminenses. No voto espontâneo, sem a lista de candidatos, Paes também lidera, com 15,5%, o equivalente a aproximadamente 1,97 milhão de eleitores.

Uma base maior do que a de Lula

Esse patamar é muito superior à votação de Lula no Rio em 2022. Naquela campanha, o presidente obteve 3.847.143 votos no primeiro turno e cresceu para 4.156.217 no segundo. A base projetada para Paes supera o melhor desempenho de Lula no estado por mais de 3,48 milhões de eleitores.

O avanço também contrasta com a eleição estadual de 2018. Wilson Witzel venceu no segundo turno com 4.675.355 votos contra 3.134.400 de Paes, que tivera apenas 1.494.831 na etapa inicial. Jair Bolsonaro, no auge da onda, somou 5.107.735 votos no primeiro turno e 5.669.059 no segundo.

Parte da explicação está no adversário. Douglas Ruas é um nome ainda muito desconhecido fora dos círculos partidários e não consegue emplacar como alternativa competitiva. A votação na casa dos 12% no primeiro turno mostra que a tentativa do PL de transformá-lo em fenômeno esbarra na ausência de identidade pública.

A pesquisa de rejeição reforça o quadro. Anthony Garotinho é o nome mais rejeitado, com 42,4%, seguido por Wilson Witzel, com 27,9%, enquanto Paes registra 22,0%. Ruas tem rejeição baixa, de 10,1%, mas porque boa parte do eleitorado sequer o conhece o suficiente para rejeitá-lo.

A força de Paes se distribui por todos os recortes do eleitorado no confronto direto. Ele lidera entre homens e mulheres, em todas as faixas de idade e em todos os níveis de escolaridade. A vantagem é ainda maior entre as mulheres e entre os mais jovens, e se mantém sólida mesmo no eleitorado de ensino superior, onde Ruas tem o melhor resultado.

A crise de palanque da direita

O bolsonarismo chega a 2026 em frangalhos no Rio. Cláudio Castro renunciou ao governo em março e foi declarado inelegível por oito anos pelo TSE, por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. O escândalo respinga diretamente na imagem de Jair Bolsonaro e de Flávio Bolsonaro, padrinhos políticos do grupo no estado.

A saída de Flávio da disputa presidencial agrava o vazio. Sem um nome de peso na cabeça de chapa e sem palanque estadual viável, a direita fluminense entra na campanha desorganizada e na defensiva.

No vácuo deixado por Castro, o atual governador em exercício, Ricardo Couto, assumiu o comando integral do estado. Pela mesma Paraná Pesquisas, Couto registra 52% de aprovação, um índice alto que aponta estabilidade administrativa e esvazia o discurso de caos da oposição.

Outro dado favorável ao campo democrático aparece na corrida ao Senado. Benedita da Silva lidera com folga, com 34% das intenções, e nenhum bolsonarista aparece na ponta. Esse desempenho ajuda a montar um palanque competitivo no estado e melhora o ambiente para a candidatura de Lula.

Por mais que Paes tente evitar a nacionalização no primeiro turno, para atrair eleitores arrependidos de Bolsonaro e de Flávio, a oposição vai tentar colá-lo a Lula de qualquer maneira. A aposta do PL é explorar a rejeição histórica da esquerda na capital para desgastar o prefeito. O efeito tende a ser o contrário, com a polarização forçada criando um palanque virtual automático e altamente representativo para o presidente.

Mesmo que Paes não divida o palco físico com Lula, para preservar alianças de centro, o palanque virtual se impõe pela própria dinâmica do voto útil. Essa sinergia oferece ao governo federal uma base regional muito mais robusta do que a de 2022, quando a máquina estadual de Castro funcionou como trator eleitoral da extrema-direita.

A frente ampla em torno do prefeito esvazia o discurso de terra arrasada e abre espaço para o centro democrático. A força demonstrada por Paes indica que a tentativa do PL de nacionalizar o pleito por meio de Ruas encontra obstáculos sérios. Essa resistência do eleitorado local fortalece o governo federal em uma das maiores vitrines eleitorais do país.

Clique aqui para baixar a íntegra da pesquisa.

Redação:
Related Post

Privacidade e cookies: Este site utiliza cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com seu uso.