Pesquisadores da Universidade de Toronto revelaram um protótipo de verme digital alimentado por inteligência artificial que se adapta sozinho a novos ambientes para invadir computadores. A criação, testada em uma rede isolada e controlada, coloca o setor de cibersegurança em alerta máximo devido ao seu poder de mutação.
Ao contrário dos vírus tradicionais, que são programados para explorar uma falha específica, o novo modelo consegue mudar de estratégia conforme avança por diferentes sistemas. A descoberta foi reportada pelo Olhar Digital, com base no estudo liderado pelo cientista Nicolas Papernot.
Nos experimentos, o verme conseguiu circular por computadores com Windows, máquinas Linux e uma vasta gama de dispositivos de Internet das Coisas conectados à rede. Ele mostrou eficácia ao invadir até mesmo sistemas que já haviam sido corrigidos contra brechas de segurança anteriores.
A capacidade de adaptação é o cerne da ameaça, pois, caso uma porta de entrada seja fechada, a ferramenta procura outra vulnerabilidade de forma autônoma. Isso representa um salto perigoso em relação ao malware convencional, que perde a utilidade assim que o software é atualizado.
Outro ponto crítico é o uso parasitário do poder de processamento das máquinas invadidas para alimentar as próprias decisões da inteligência artificial. Segundo Nicolas Papernot, os hackers sempre precisaram priorizar alvos valiosos devido às limitações de tempo e recursos computacionais.
Agora, com a arquitetura baseada em IA, o custo operacional de um ataque massivo cairia para praticamente zero. O verme digital transforma cada nova máquina infectada em uma engrenagem de seu próprio aprendizado, refinando os métodos de invasão em tempo real.
O estudo surge em um momento de aceleração do uso de inteligência artificial para segurança cibernética, como exemplifica o modelo Mythos, lançado pela empresa Anthropic. Dados divulgados recentemente indicam que o Mythos já encontrou mais de 10 mil falhas inéditas em sistemas digitais.
A empresa de segurança Cloudflare identificou cerca de 2 mil vulnerabilidades relacionadas, sendo 400 delas classificadas como críticas ou de alta gravidade. Esses números revelam a vastidão do campo de ação que um software malicioso inteligente poderia explorar em larga escala.
Embora o protótipo desenvolvido no Canadá ainda explore apenas falhas já conhecidas, os pesquisadores alertam que a tecnologia pode evoluir para buscar brechas inéditas. Em breve, sistemas similares poderão facilitar ataques automatizados em dimensões globais quase impossíveis de rastrear.
Nicolas Papernot reforçou que nenhum sistema está imune a essa ameaça em um mundo altamente interconectado. Compartilhar as descobertas agora serve como um apelo urgente para que líderes do setor ajam antes que a automação maliciosa se torne a nova face do crime digital.