O ambicioso projeto europeu de €100 bilhões para desenvolver um caça de próxima geração foi oficialmente cancelado. A iniciativa, que visava reduzir a dependência da Europa de armamentos fabricados nos EUA, foi abandonada após anos de disputas industriais e políticas entre França e Alemanha.
O projeto, conhecido como Future Combat Air System (FCAS), tinha como objetivo criar uma aeronave de combate avançada para operar a partir de 2040. O cancelamento não foi uma surpresa total. Em fevereiro, o ministro da Defesa da Bélgica, Theo Francken, havia declarado que o projeto estava morto. A decisão final veio após a confirmação de que o componente de caça tripulado seria descartado, conforme relatado por diversos veículos de imprensa.
O ministro da Defesa da Alemanha, Boris Pistorius, afirmou que o projeto era uma grande iniciativa europeia que se desfez diante da realidade. Ele destacou a necessidade de distinguir entre razão e emoção ao avaliar o fracasso do FCAS. Lançado em 2017 pelo presidente francês Emmanuel Macron e pela então chanceler alemã Angela Merkel, o projeto enfrentou problemas desde o início, com divergências sobre a divisão de trabalho e governança entre os principais contratantes, Dassault Aviation da França e Airbus Defence and Space, com sede na Alemanha.
A Dassault Aviation expressou descontentamento com a proposta da Airbus de uma gestão colegiada, argumentando que a liderança diluída não seria eficaz para um projeto dessa magnitude. A história do Eurofighter Typhoon, que começou em 1983 e viu a França se retirar para focar no Rafale, ilustra as dificuldades de colaboração em projetos multinacionais de defesa.
Com o colapso do FCAS, Alemanha e França planejam seguir com seus próprios programas de aeronaves. A Espanha, que participou do projeto através da Indra Sistemas, deve continuar a trabalhar no componente de nuvem de combate. A Alemanha também considera a colaboração com a sueca Saab, fabricante do caça Gripen, visto como um parceiro mais fácil de trabalhar do que a Dassault.
O fracasso do FCAS representa um revés significativo para a visão de Macron de uma Europa mais independente em termos de defesa. No entanto, partes do projeto, como os drones e a rede de informações, ainda podem ser aproveitadas em programas nacionais futuros, segundo um oficial francês. O chanceler alemão Friedrich Merz já havia informado Macron que o projeto não tinha futuro viável, conforme reportagem do jornal Handelsblatt.
Apesar do cancelamento, a busca por alternativas europeias continua, com Alemanha e França explorando novas parcerias e tecnologias para fortalecer suas capacidades de defesa.