O chamado “tarifaço” dos Estados Unidos contra produtos brasileiros acabou produzindo um efeito político inesperado: fortalecer a posição de Lula no debate sobre patriotismo, soberania e defesa dos interesses nacionais.
Nova pesquisa Genial/Quaest mostra que 47% dos brasileiros consideram Lula o político que melhor representa a defesa dos interesses do Brasil, contra 37% que apontam Flávio Bolsonaro. Outros 10% afirmaram que nenhum dos dois representa melhor essa posição, enquanto 6% não responderam.
O levantamento também indica impacto direto na disputa eleitoral. Segundo a pesquisa, 39% dos entrevistados afirmam ter mais vontade de votar em Lula após o episódio das tarifas americanas, enquanto 30% dizem se aproximar mais de Flávio Bolsonaro.
Outro dado importante mostra que a narrativa do governo está prevalecendo na opinião pública. Diante da disputa de versões sobre as tarifas, 47% concordam mais com Lula, que acusa Flávio Bolsonaro de ter contribuído para o agravamento da crise comercial, enquanto 35% concordam mais com a versão apresentada pelo senador.
Quando a pesquisa perguntou sobre as razões das tarifas, 46% consideraram mais convincente a explicação de Lula, segundo a qual a medida estaria ligada à reação dos EUA contra políticas brasileiras como o Pix e outras disputas comerciais. Já 36% concordaram mais com a versão defendida por Flávio Bolsonaro.
A percepção econômica também pesa contra o tarifaço. Para 55% dos brasileiros, as novas tarifas americanas devem prejudicar suas vidas ou as de suas famílias. Apenas 37% acreditam que não haverá impacto relevante.
A pesquisa mostra ainda que 57% rejeitam a justificativa dos Estados Unidos de que a relação comercial com o Brasil seria injusta para empresas americanas, enquanto apenas 21% consideram essa argumentação correta.
Os números ajudam a explicar por que Lula vem ampliando vantagem em diversas pesquisas divulgadas nas últimas semanas. Enquanto o presidente conseguiu ocupar o espaço de defensor da soberania nacional diante das pressões externas, Flávio Bolsonaro enfrenta dificuldades para impedir que o episódio seja associado ao campo bolsonarista.
O resultado da Quaest sugere que o tarifaço, que poderia criar desgaste para o governo federal, acabou produzindo o efeito inverso. Ao transformar a disputa em um debate sobre defesa dos interesses brasileiros, Lula conseguiu consolidar uma posição favorável junto à maioria dos eleitores.
A pesquisa ouviu 2.004 brasileiros entre os dias 5 e 8 de junho, com margem de erro de 2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.