Degustação de uísque do Banco Master com filho de Fux expõe malha de relações de Flávio Bolsonaro

Ilustração editorial sobre Degustação de uísque do Banco Master com filho de Fux expõe malha de relações de Flávio Bolsonaro. (Ilustração: Cafezinho / Wan 2.6)

O cerco financeiro que conecta o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Banco Master ganhou uma nova ramificação incômoda com a revelação de que o advogado Rodrigo Fux, filho do ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, participou de uma degustação de uísque em Nova York custeada por Daniel Vorcaro, dono da instituição. O episódio, relatado pela coluna de Igor Gadelha no Metrópoles com base em relatos do ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro, joga luz sobre a capilaridade do banco em círculos políticos e jurídicos, exatamente quando a família Bolsonaro tenta blindar seu patrimônio eleitoral para 2026.

A informação foi confirmada pela Revista Fórum e detalha um encontro ocorrido fora do país, longe dos holofotes brasileiros, mas que expõe a estratégia de Vorcaro de cultivar vínculos com personagens de alto poder decisório. O Banco Master, hoje no epicentro de investigações da Polícia Federal e da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Pirâmides Financeiras, tornou-se uma engrenagem central nos negócios que envolvem o clã Bolsonaro, especialmente após a descoberta de empréstimos milionários sem garantias reais a empresas ligadas ao senador Flávio e a aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Rodrigo Fux, que atua como advogado sem qualquer vínculo funcional com o tribunal do pai, não ocupa cargo público, mas sua mera presença em um evento fechado pago pelo banqueiro investigado acende alertas sobre o tráfico de influência indireta. Embora não haja, até o momento, nenhuma acusação formal de irregularidade do ministro Luiz Fux no caso, a coincidência de agendas entre o filho de um magistrado da Suprema Corte e o mesmo operador financeiro que irriga campanhas bolsonaristas levanta questionamentos inevitáveis sobre os limites entre o lícito e o politicamente tóxico.

A degustação em Manhattan, descrita como um encontro reservado, foi revelada por Cláudio Castro, que rompeu com o bolsonarismo após a eleição de 2022 e hoje colabora com investigações sobre o financiamento de esquemas políticos no Rio de Janeiro. Vorcaro, por sua vez, nega qualquer ilegalidade nas operações do banco, mas já foi alvo de buscas e apreensões autorizadas pelo STF em decorrência da suspeita de que o Master atuava como doleiro de luxo para membros da família Bolsonaro e milicianos fluminenses.

Para Flávio Bolsonaro, o timing não poderia ser pior. O senador ensaia sua candidatura ao governo do Rio de Janeiro em 2026 como principal aposta do PL para manter o controle do estado, mas segue assombrado pelo caso das rachadinhas e pela proximidade com Vorcaro, que já foi flagrado em conversas telefônicas com assessores do parlamentar. A blindagem que o bolsonarismo tenta construir passa por desqualificar investigações como perseguição política, mas a multiplicação de fatos como a degustação de uísque em Nova York torna essa narrativa cada vez mais frágil perante o eleitorado e os tribunais regionais eleitorais.

O Banco Master, criado com capital de origem nebulosa, expandiu sua carteira justamente durante o governo de Jair Bolsonaro, quando recebeu aportes indiretos de fundos de pensão estatais e foi favorecido por mudanças regulatórias no Banco Central. Documentos obtidos pela CPI revelam que Vorcaro emprestou pelo menos R$ 42 milhões a uma empresa de fachada que, segundo investigadores, serviu para lavar recursos desviados do gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, na época em que o hoje senador era deputado estadual.

A conexão com 2026 é direta: qualquer decisão judicial ou eleitoral que atinja o núcleo financeiro do bolsonarismo tem o potencial de implodir a principal candidatura da extrema-direita no Rio de Janeiro. A oposição já coleta assinaturas para uma nova representação no Tribunal Superior Eleitoral, pedindo a inelegibilidade de Flávio por abuso de poder econômico, com base justamente nos repasses do Banco Master. Ao mesmo tempo, o entorno de Jair Bolsonaro avalia que um revés no Rio poderia contaminar a campanha nacional pelo Senado e pela Presidência, onde o ex-capitão depende de palanques estaduais sólidos.

Enquanto isso, a figura de Rodrigo Fux – mesmo que não represente qualquer conduta ilícita do pai – funciona como símbolo da promiscuidade entre altas esferas do Judiciário e o submundo financeiro que o bolsonarismo soube explorar. Não se trata de imputar culpa ao ministro Luiz Fux, cuja trajetória no STF é independente das escolhas do filho, mas de reconhecer que a malha de interesses de Vorcaro envolve, deliberadamente, um ecossistema que vai de tribunais a gabinetes parlamentares, passando por restaurantes de luxo em Nova York.

A defesa de Flávio Bolsonaro nega qualquer irregularidade e classifica as investigações como tentativa de criminalizar relações comerciais legítimas. Já Daniel Vorcaro, por meio de seus advogados, afirma que o encontro com Rodrigo Fux foi um evento social sem qualquer contrapartida indevida. Nenhum dos dois, porém, conseguiu explicar por que o dono do banco concentra suas atenções justamente em personagens que orbitam os mesmos processos e suspeitas que assombram o clã Bolsonaro desde o surgimento do caso Queiroz.

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