A pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à presidência da República pelo PL do Rio de Janeiro, articula uma estratégia para utilizar a Copa do Mundo como escudo, buscando desviar a atenção pública do persistente escândalo envolvendo o Banco Master e as conversas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A manobra revela a pressão sobre o clã Bolsonaro e a necessidade de reformular a imagem do senador antes das eleições de 2026.
Segundo a analista de política Débora Bergamasco, da CNN Brasil, a equipe de Flávio Bolsonaro avalia que o torneio esportivo, que ocorrerá entre junho e julho, representa uma janela de oportunidade crucial. A aposta é que, sem novos desdobramentos diretos do caso Master no curto prazo, a repercussão do episódio tenda a perder força em meio à efervescência do futebol, permitindo um ‘assentar da poeira’ política.
Reforma da pré-campanha e tripla meta
Paralelamente à tentativa de usar o evento esportivo como uma cortina de fumaça, a pré-campanha de Flávio Bolsonaro passou por uma reformulação completa. Toda a equipe de marketing foi substituída, com a contratação de uma nova consultoria e novos profissionais de comunicação e assessoria de imprensa.
Para o período da Copa do Mundo, a equipe estabeleceu uma meta tríplice: superar definitivamente o impacto negativo do caso Master, consolidar o novo time de comunicação e intensificar a presença do senador em diferentes regiões do Brasil. A ideia central é que este seja o momento de recalibrar a máquina eleitoral.
‘Menos Brasília e mais Brasil’: a nova rota de Flávio
A nova estratégia de comunicação aponta para uma tática de aproximar Flávio Bolsonaro da população, distanciando-o, ao menos discursivamente, dos holofotes de Brasília. A proposta, segundo aliados, é fazer ‘menos Brasília e mais Brasil’, com agendas intensas pelo país.
Em viagens recentes ao Paraná e à Bahia, o pré-candidato teria conseguido reunir um número considerável de apoiadores. Contudo, essas mobilizações ainda se mostram em escala menor e com menos fôlego do que as observadas durante as campanhas de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que em 2022 obteve 58.206.354 votos válidos, representando 49.1% dos votos nacionais.
Nas redes sociais, a mudança de postura também é evidente. Os conteúdos produzidos para Flávio Bolsonaro adotaram um tom marcadamente mais emocional, buscando despertar sentimentos no público e criar uma narrativa de proximidade e empatia. Este novo caminho sinaliza uma tentativa de construir uma base de apoio mais orgânica e menos dependente do estilo confrontacional de seu pai.
O futuro político sob a sombra do Master
A aposta na Copa do Mundo e a reformulação da pré-campanha sublinham a fragilidade política de Flávio Bolsonaro diante de escândalos que o ligam a figuras controversas como Daniel Vorcaro e o Banco Master. A necessidade de uma estratégia tão elaborada para desviar o foco de investigações mostra o desafio de sustentar uma candidatura presidencial em um campo bolsonarista que busca se renovar, mas ainda carrega o peso de antigas acusações.