O Superior Tribunal de Justiça (STJ) deu início à fase de oitiva de testemunhas no processo administrativo disciplinar instaurado contra o ministro Marco Buzzi. Ele está afastado do cargo desde fevereiro, sob suspeita de importunação sexual contra duas mulheres. As audiências ocorrem em formato híbrido, com depoimentos presenciais no STJ e por videoconferência.
As acusações que fundamentam o processo são de naturezas distintas. A primeira denúncia veio de uma jovem, filha de amigos do ministro, que relatou ter sido tocada por Buzzi em uma praia em Santa Catarina em janeiro. A segunda denúncia partiu de uma ex-funcionária terceirizada do gabinete de Buzzi, que descreveu situações de assédio ocorridas entre 2023 e 2025.
Os pais da jovem e servidores do gabinete do ministro figuram entre as testemunhas de acusação. A defesa de Buzzi, por sua vez, arrolou 16 testemunhas, incluindo pessoas que estavam na praia no momento do suposto incidente para corroborar sua versão dos fatos.
O processo administrativo disciplinar foi aberto em abril, após uma apuração preliminar indicar a necessidade de investigação. A decisão de instaurar o PAD foi unânime pelo plenário do STJ em 14 de abril, que também manteve o afastamento cautelar do ministro.
A comissão responsável pela instrução do processo é composta pelos ministros Luis Felipe Salomão, que a preside, Benedito Gonçalves e Ricardo Villas Bôas Cueva, todos escolhidos por sorteio. Enquanto responde ao processo, Marco Buzzi continua recebendo seu salário integral de R$ 100 mil mensais.
Além do procedimento no STJ, o ministro Marco Buzzi enfrenta um inquérito criminal no Supremo Tribunal Federal (STF), sob a relatoria do ministro Kassio Nunes Marques. Ele também é alvo de um procedimento no Conselho Nacional de Justiça (CNJ), evidenciando a mobilização de três instâncias judiciais.
A apuração pode resultar em punições que variam desde advertências até a aposentadoria compulsória do magistrado. A defesa de Marco Buzzi nega veementemente qualquer crime e afirma que atuará com serenidade e respeito às instituições, acreditando que os depoimentos ajudarão a esclarecer os fatos e inocentar o ministro.
Segundo reportagem do portal O Tempo, a fase de instrução marca um novo capítulo na investigação.
Com informações de G1.