Fóssil de 225 milhões de anos reescreve a história dos dinossauros

"Berlin to New York in less than One Hour!" written by Hugo Gernsback and illustrated by Frank R. Pa. Foto: Frank R. Paul, Art Director of Everyday Science and Mechanics, Gernsback Publications

Um notável fóssil descoberto na África está reescrevendo a história das origens dos dinossauros. O osso da perna, datado de 225 milhões de anos, pertence a um grupo pouco conhecido de répteis chamados silesauros, desafiando crenças antigas sobre o tamanho dos primeiros dinossauros ou seus ancestrais mais próximos.

A descoberta sugere que os dinossauros iniciais podem ter sido muito maiores do que se imaginava, abrindo um novo capítulo na compreensão da vida pré-histórica. Este fêmur, medindo 27 centímetros (10,6 polegadas), é quase o dobro do tamanho dos fêmures de silesauros previamente encontrados na mesma região.

Em 1963, um fêmur fossilizado foi desenterrado no atual Zâmbia por cientistas britânicos. A expedição conjunta do Natural History Museum e da University of London concentrava-se principalmente em répteis semelhantes a mamíferos. Contudo, a descoberta desse osso em particular não recebeu muita atenção na época e permaneceu esquecida por décadas em um depósito de museu.

O fóssil, catalogado como NHMUK PV R37051, foi encontrado aproximadamente 3,5 milhas ao norte de Sitwe, no vale superior de Luangwa, na Zâmbia. Somente muito mais tarde, na década de 2010, o osso foi reexaminado, revelando sua verdadeira importância para a paleontologia.

Foi reidentificado como pertencente a um dos primeiros silesauros, lançando nova luz sobre a vida pré-histórica e as linhagens ancestrais dos dinossauros. Os silesauros são um grupo de répteis próximos aos dinossauros, que habitaram a Terra entre 240 e 200 milhões de anos atrás.

Curiosamente, os silesauros só foram identificados como um grupo separado em 2010, apesar de sua ampla distribuição geográfica e persistência temporal. Fósseis desse enigmático grupo foram encontrados em rochas do Triássico Médio e Superior em Madagascar, outras partes da África, América do Norte, América do Sul e Europa.

Sua posição na árvore evolutiva dos dinossauros permanece um ponto de intenso debate entre os cientistas. Alguns os consideram dinossauros primitivos, enquanto outros os veem como seus parentes mais próximos ou até mesmo um estágio inicial na evolução dos ornitísquios.

Apesar dessa incerteza taxonômica, a recente descoberta deste fêmur colossal tem o potencial de transformar a compreensão de como os dinossauros evoluíram. Jack Lovegrove, estudante de doutorado e autor principal do estudo, afiliado à University College London (UCL) e ao Natural History Museum em Londres, destaca a magnitude da revelação.

Ele sugere que o tamanho deste fêmur desafia a crença de longa data de que os primeiros dinossauros eram obrigatoriamente pequenos. Em vez de terem começado minúsculos, é possível que alguns dos dinossauros iniciais e seus parentes próximos tenham, na verdade, diminuído de tamanho ao longo do tempo, em uma complexa dinâmica evolutiva.

Coautores como Kimberley E. J. Chapelle, Brandon R. Peecook, Paul Upchurch e Paul M. Barrett, da equipe de pesquisa, reforçam a importância da descoberta. Se mais fósseis de grande porte forem descobertos, isso poderia indicar que os dinossauros iniciaram sua existência em uma escala muito mais grandiosa, com certos grupos encolhendo à medida que se adaptavam e evoluíam.

Silesauros, como o Lutungutali sitwensis identificado na Zâmbia, eram répteis bípedes com bicos, provavelmente herbívoros ou insetívoros. Sua anatomia, que compartilha características com os primeiros dinossauros, os torna um grupo crucial para o estudo das origens dinossaurianas.

A reanálise deste osso, após mais de 50 anos guardado no Natural History Museum em Londres, finalmente revelou sua verdadeira significância. A descoberta está reconfigurando o conhecimento sobre o início dos dinossauros e sublinha o papel vital dos museus na preservação do patrimônio paleontológico para futuras gerações de cientistas.

Isso prova que a compreensão dessas criaturas incríveis e dos cronogramas dos dinossauros ainda está mudando. De fato, a fisiologia dos dinossauros, particularmente sua termorregulação, tem sido um tópico de intenso debate histórico.

Pesquisas recentes sugeriram que algumas variedades de dinossauros podem ter desenvolvido a capacidade de controlar sua própria temperatura corporal. Isso poderia alterar a compreensão dos cronogramas animais ao longo da história do planeta, com esses dinossauros possivelmente se tornando os primeiros répteis terrestres de sangue quente.

A endotermia, a capacidade de gerar calor interno, surgiu apenas uma vez nos arcossauromorfos, ancestrais de dinossauros, pássaros e crocodilianos. Evidências como a histologia óssea em espécies como Azendohsaurus indicam que alguns desses répteis triássicos já eram de sangue quente.

A estrutura óssea bem vascularizada, do tipo fibro-lamelar, encontrada na maioria dos dinossauros, é indicativa de crescimento rápido e altas taxas metabólicas, características frequentemente associadas a animais de sangue quente. Estudos indicam que terópodes e ornitísquios se moveram para climas mais frios no Jurássico Inferior, sugerindo o desenvolvimento da endotermia, enquanto os saurópodes permaneceram em regiões mais quentes. Esta complexa tapeçaria de evidências continua a desafiar e refinar o entendimento humano sobre os gigantes que dominaram a Terra por milhões de anos. Leia mais aqui.

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