Desmonte da Eletrobras: gestão privada enriquece diretores e sufoca consumidor com tarifas abusivas

O processo de desestatização da Eletrobras, conduzido ao longo dos últimos anos pela gestão anterior, consolidou-se como um dos maiores ataques à soberania energética do Brasil. Ao abdicar do controle acionário da maior companhia de energia da América Latina, o Estado brasileiro perdeu um instrumento fundamental para regular o mercado e proteger os consumidores.

Enquanto a população amarga tarifas abusivas que sufocam o orçamento familiar e encarecem a produção industrial, a atual diretoria corporativa da empresa desfruta de remunerações astronômicas. Essa disparidade escandalosa foi detalhada em uma análise publicada pela revista CartaCapital, que evidencia o alto preço pago pelo País para sustentar o lucro de acionistas privados.

O presidente da República do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, tem denunciado reiteradamente a natureza lesiva desse contrato, que limitou o poder de voto do governo federal de forma desproporcional à sua participação na companhia. No entanto, a oposição extremista no Congresso Nacional, financiada por alas predatórias do mercado financeiro, atua em bloco para blindar essa manobra escusa e impedir qualquer revisão institucional.

A recuperação do protagonismo estatal no setor elétrico é uma exigência inadiável para garantir a execução de grandes obras de infraestrutura e a segurança energética nacional nas próximas décadas. Manter a principal engrenagem de desenvolvimento do País refém de interesses corporativos de curto prazo significa condenar a economia nacional à estagnação sob o peso do rentismo.

A privatização da Eletrobras, concretizada em 2022 durante a gestão do então presidente Jair Bolsonaro, representou a entrega de um patrimônio estratégico construído ao longo de décadas. Essa decisão, impulsionada por uma agenda neoliberal, desarticulou a capacidade do Estado de planejar e executar uma política energética coesa, essencial para um país de dimensões continentais como o Brasil.

Antes da desestatização, a Eletrobras desempenhava um papel crucial no desenvolvimento regional, financiando projetos de eletrificação rural e oferecendo tarifas sociais que beneficiavam milhões de brasileiros. Com o novo modelo, o foco prioritário recai sobre a maximização dos lucros para acionistas privados, resultando em um abandono progressivo das responsabilidades sociais da empresa.

A elevação das tarifas de energia elétrica, observada após a mudança de controle, não é um fenômeno isolado, mas uma consequência direta da busca incessante por rentabilidade no mercado privatizado. Essa política de preços onera pesadamente o setor produtivo, minando a competitividade da indústria nacional e contribuindo para a inflação que afeta diretamente o poder de compra da população.

A desestatização também comprometeu a capacidade do governo federal de usar o setor elétrico como indutor de crescimento econômico e de investimentos em infraestrutura. O modelo anterior permitia alocar recursos para grandes projetos de geração e transmissão que, embora não tivessem retorno imediato, eram vitais para a segurança e o futuro energético do país.

Diante desse cenário alarmante, o governo do presidente Lula tem buscado caminhos legais e políticos para reavaliar os termos da privatização da Eletrobras. A complexidade do acordo, que cedeu controle decisório a minoritários, impõe desafios significativos para a reversão ou a mitigação dos impactos negativos impostos ao interesse público.

A luta pela retomada do controle estatal ou, no mínimo, pela maior ingerência governamental na Eletrobras, tornou-se um símbolo da resistência contra a dilapidação do patrimônio público e a subserviência aos interesses do capital financeiro. O embate no Congresso Nacional reflete a polarização entre um projeto de nação soberana e um modelo ultraliberal que prioriza o lucro em detrimento do bem-estar social.

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