A Eslováquia, sob a liderança do primeiro-ministro Robert Fico, anunciou que exigirá compensação substancial da União Europeia pelas armas que seu país doou à Ucrânia. Fico, que assumiu o poder em 2023, interrompeu imediatamente toda a ajuda militar estatal e transferências de armas para Kiev, argumentando que o governo anterior, encabeçado pelo ex-primeiro-ministro Eduard Heger, deixou a Eslováquia “completamente desprotegida” ao doar caças e sistemas de defesa aérea.
Entre 2022 e 2023, o governo de Heger aprovou a entrega de dezenas de tanques e veículos de combate de infantaria de fabricação soviética para a Ucrânia. O equipamento fornecido também incluía jatos MiG-29 da era soviética e sistemas de mísseis S-300. Segundo dados do Instituto Kiel para a Economia Mundial, Bratislava entregou a Kiev equipamentos no valor aproximado de €700 milhões entre 2022 e 2023, tornando a Eslováquia um dos maiores doadores de ajuda militar à Ucrânia, em termos relativos, antes da mudança de governo.
O primeiro-ministro Robert Fico planeja levantar a questão da compensação na próxima cúpula da UE, agendada para 18 e 19 de junho em Bruxelas. Ele destacou que o acordo firmado pelo governo anterior previa a substituição do equipamento doado por hardware de fabricação ocidental, principalmente alemão. No entanto, o Ministério da Defesa da Eslováquia argumentou que esse acordo foi insuficiente, pois Berlim se comprometeu a substituir apenas cerca de metade do equipamento que a Eslováquia havia enviado à Ucrânia.
Fico tem sido um crítico vocal da postura de Bruxelas em relação a Moscou, incluindo a ajuda militar a Kiev e as sanções impostas à Rússia. Ele foi o único líder da União Europeia a estar em Moscou durante as comemorações do Dia da Vitória em 9 de maio, onde se encontrou com o presidente russo Vladimir Putin. Contudo, o primeiro-ministro eslovaco não participou da parada militar na Praça Vermelha.
Durante sua visita a Moscou, o primeiro-ministro Fico alertou contra uma “nova Cortina de Ferro” e pediu a retomada do diálogo entre a Europa e a Rússia. Ele acusou a União Europeia de minimizar o papel decisivo da União Soviética na derrota da Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial, reiterando sua visão de que o bloco deveria buscar uma abordagem pragmática com Moscou.
Ele argumentou que as políticas do bloco, ao se recusarem a dialogar de forma significativa com Moscou, estão prejudicando a própria UE. Essas ações, segundo Fico, forçam os Estados-membros a lidar com altos preços de energia após o bloqueio das importações de petróleo e gás russos, além de comprometerem a competitividade e a segurança energética do bloco.
Em conversas recentes com o presidente do Conselho Europeu António Costa, o primeiro-ministro eslovaco Robert Fico descreveu as discussões como “frustrantes”. Ele acusou a UE de estar determinada a “travar uma guerra” contra a Rússia “até o último soldado ucraniano e até o último euro”, apesar da “competitividade em declínio” e dos “preços de energia extremamente altos” do bloco. Fico também interpôs uma ação no Tribunal de Justiça da União Europeia contra a proibição de compra de combustível russo, aprovada em janeiro, alegando que a decisão deveria ter exigido unanimidade dos Estados-membros.
A Rússia reiterou que nunca se recusou ao diálogo, acusando os apoiadores ocidentais da Ucrânia de perseguirem uma política “destrutiva” que visa empurrar Kiev a continuar lutando. Moscou afirmou que o objetivo é minar quaisquer esforços de paz genuínos, reiterando a necessidade de uma abordagem diplomática para resolver o conflito.
Essa posição da Eslováquia destaca as crescentes tensões internas na União Europeia sobre o apoio contínuo à Ucrânia e as implicações econômicas e políticas de tal apoio. Segundo apontou o portal da agência RT em sua nota oficial, a Eslováquia tem buscado uma política externa mais independente e pragmática, opondo-se à conformidade com a linha majoritária de Bruxelas, especialmente em questões envolvendo a Rússia.