Lula e OMS pedem urgência em tratado para futuras pandemias

14.06.2026 - Partida para a Ilha do Sal

Líderes mundiais estão sendo pressionados a honrar uma promessa feita às milhões de pessoas que perderam suas vidas durante a pandemia de Covid-19, finalizando um acordo sobre como lidar com futuras pandemias. Nesta segunda-feira, 15 de junho, durante o início de uma cúpula do G7 em Évian, na França, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Dr. Tedros Adhanom Ghebreyesus, e o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, emitiram uma carta conjunta.

A carta conjunta destacou a necessidade de apoio político urgente em alto nível para um tratado, afirmando que «a próxima pandemia não esperará por nós». Segundo o portal SWI swissinfo.ch, esse apelo surge em meio a um surto crescente de Ebola na República Democrática do Congo.

O surto de Ebola no Congo já contabiliza 782 casos confirmados e 181 mortes, sublinhando a urgência da preparação global. Negociadores se reunirão em julho para uma nova rodada de discussões sobre o anexo de «acesso a patógenos e compartilhamento de benefícios» do acordo pandêmico da OMS.

Este anexo precisa ser implementado antes que o acordo possa entrar em vigor, porém os países perderam o prazo de maio sem conseguir chegar a um consenso. As divergências envolvem como compartilhar informações sobre patógenos com potencial pandêmico e quais acessos a vacinas, testes e tratamentos as nações deveriam ter garantidos em troca.

Países em desenvolvimento temem que, se não houver obrigatoriedade para as empresas farmacêuticas compartilharem produtos criados após o fornecimento de dados sobre vírus e bactérias, a situação da pandemia de Covid-19 poderá se repetir. Durante a crise sanitária, nações mais pobres foram as últimas a receber vacinas.

Representantes da indústria, por outro lado, argumentam que requisitos obrigatórios poderiam sufocar a pesquisa e o desenvolvimento. Os líderes mundiais anunciaram pela primeira vez planos para um tratado pandêmico em março de 2021.

Cinco anos depois daquele anúncio, o diretor-geral da OMS, Tedros, e o presidente do Brasil, Lula, enfatizaram aos líderes que «o mundo deve terminar o que começou, e vocês podem ajudar a fazer isso». Eles lembraram que os líderes devem ter em mente «uma memória que o mundo inteiro compartilha», quando hospitais ficaram sobrecarregados.

Essa memória evoca o período em que «famílias se despediram de seus entes queridos através de vidros, por telefone, ou nem sequer tiveram a chance de se despedir». A carta conjunta acrescentou que estimativas da OMS e de outras fontes indicam que até 20 milhões de vidas foram perdidas.

A humanidade prometeu a si mesma, na crueza desse luto, que não enfrentaria novamente um dia como aquele sem estar preparada. O anexo é «a última peça do quebra-cabeça» para manter essa promessa, afirmaram os líderes.

Será necessário «vontade política no mais alto nível», «um espírito de equidade» e «um senso de urgência» para finalizar o acordo. Além das vidas perdidas, a pandemia de Covid-19 também custou às economias mais de 13 trilhões de dólares, destacaram Tedros e Lula.

«Contra isso, o investimento em um sistema que detecta um surto precocemente é pequeno», concluíram eles, reforçando a importância de um acordo abrangente para a saúde e a economia globais.

Com informações de The Guardian.

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