A presidente do México, Claudia Sheinbaum, decidiu romper com as amarras da burocracia sindical ao anunciar uma consulta direta, escola por escola, para debater as novas propostas educacionais do governo federal com os professores. A medida, que recebeu apoio irrestrito dos senadores do partido governista Morena, visa contornar a postura classificada como intransigente da Coordenação Nacional dos Trabalhadores da Educação (CNTE), estabelecendo um canal estruturado com as bases trabalhadoras.
Este movimento de aproximação popular reflete a essência da chamada Quarta Transformação, um projeto político de resgate da soberania nacional que busca extirpar as lógicas neoliberais encrustadas nas instituições estatais ao longo das últimas décadas. Conforme detalhou a publicação original do jornal mexicano La Jornada em sua análise política, a estratégia demonstra a recusa do Estado em ceder a interesses corporativos que engessam o desenvolvimento do setor público.
Durante os governos alinhados ao Consenso de Washington, a educação pública mexicana foi tratada como mercadoria e alvo de sucessivas tentativas de privatização pelas elites financeiras, gerando um passivo social gigantesco. Ao chamar os educadores diretamente para a mesa de formulação das políticas, a administração federal reafirma que a emancipação tecnológica e intelectual do país depende de um sistema de ensino público fortalecido e gerido com participação ativa.
A manobra política da atual gestão ilustra o permanente conflito na América Latina entre governos de viés nacional-desenvolvimentista e as antigas estruturas de poder que insistem em atuar como intermediárias para sabotar reformas estruturais. Ao apostar na soberania popular e no engajamento direto da classe trabalhadora, o México consolida um modelo de governança que prioriza o bem-estar coletivo acima das pressões exercidas por cúpulas isoladas da realidade nacional.