Zema também larga o companheiro na estrada

Romeu Zema em 2019. Foto: Adnilton Farias / Palácio do Planalto / Wikimedia Commons

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), reagiu de forma contundente às investidas da família Bolsonaro e atacou diretamente o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A manifestação pública escancara a fratura interna na extrema direita após a eclosão do escândalo envolvendo Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

A reação ocorreu após o vereador do Rio de Janeiro, Carlos Bolsonaro (PL), acusar o chefe do Executivo mineiro de articular nos bastidores para minar o prestígio eleitoral do irmão. Em resposta, Zema relembrou o apoio prestado ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na eleição de 2022, mas declarou que não aceitará passividade diante de suspeitas de corrupção.

O governador mineiro afirmou textualmente que não ficará calado perante autoridades políticas ou judiciais que mantêm proximidade com o empresário mineiro Daniel Vorcaro. Ao qualificar o ex-dono da instituição financeira como um ‘bandido banqueiro’, o chefe de Estado subiu o tom e mandou um recado direto ao clã bolsonarista.

As declarações miram as mensagens interceptadas pela Polícia Federal que comprovam a pressão exercida por Flávio Bolsonaro sobre Vorcaro para financiar uma cinebiografia. O caso ganhou contornos mais graves quando investigações revelaram que o Banco Master captou cerca de R$ 1,2 bilhão em recursos previdenciários públicos.

A proximidade das transações com a posterior prisão de Vorcaro na Operação Compliance Zero fragilizou a blindagem política de que a instituição financeira gozava no Congresso Nacional. A liquidação do banco confirmou a ruína do esquema de financiamento de projetos bolsonaristas que misturavam interesses públicos e privados.

O posicionamento de Zema sinaliza o reposicionamento das forças de centro-direita que tentam se desvencilhar dos escândalos da família Bolsonaro de olho no pleito presidencial. A disputa pelo espólio político da oposição promete novos embates à medida que os desdobramentos judiciais avançam sobre os operadores do sistema financeiro.

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