Lula afirmou que Trump fez uma coisa desaforada com o Brasil e continua agindo como um imperador, em um dos discursos mais incisivos já proferidos pelo mandatário brasileiro contra o ocupante da Casa Branca.
O petista explicou por que não solicitou uma reunião bilateral com o líder americano durante o encontro. Eu não pedi bilateral ao Trump porque nós estamos em negociação, declarou Lula, referindo-se às tratativas entre os governos sobre tarifas comerciais e cooperação no combate ao crime organizado.
De acordo com a cobertura do Metrópoles, o presidente detalhou que os ministros Mauro Vieira, das Relações Exteriores, e o titular do Comércio estão em contato direto com suas contrapartes americanas. Estamos negociando, reforçou, deixando claro que a diplomacia segue ativa apesar da tensão.
Lula revelou ter entregue por escrito a posição do governo brasileiro sobre o enfrentamento ao crime organizado, em um gesto calculado para lidar com o estilo do presidente americano. Porque o presidente Trump fala muito e ouve pouco, justificou o petista, em tom direto e sem meias-palavras.
O documento, segundo o presidente, contém uma advertência contundente: as armas que abastecem o crime organizado brasileiro chegam majoritariamente do território americano. Todas as armas que a Polícia Federal apreende no Brasil vêm de Miami. E o estado de Delaware faz lavagem de dinheiro de bandidos brasileiros, denunciou Lula.
A indignação do presidente brasileiro se insere em um contexto de escalada unilateral de Washington. No dia 5 de junho, os Estados Unidos anunciaram que o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC) passariam a ser classificados como grupos terroristas, decisão tomada sem consulta ao governo brasileiro e que enquadra as organizações criminosas na mesma arquitetura jurídica usada para combater grupos armados transnacionais.
Para Lula, a medida representa uma afronta aos esforços do Brasil no combate ao crime e desconsidera a soberania do país na condução de sua própria política de segurança pública. O presidente foi além e mirou diretamente a interferência nos assuntos internos brasileiros, reagindo a declarações de Trump sobre o cenário político nacional.
O americano havia manifestado preferências claras sobre as eleições brasileiras, especialmente após o julgamento do ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Eu acho que ele tem o direito de ter as preferências eleitorais dele, as preferências ideológicas dele. Só espero que ele não fira o Código de Ética entre as nações que querem ser respeitadas em sua soberania, rebateu Lula.
O presidente brasileiro foi ainda mais enfático: Para mim, ele pode continuar gostando do Bolsonaro, do pai, do filho, do neto, não tem problema. É um problema dele. Afinal de contas, gosto não se discute. Agora, não se meta nas eleições do Brasil, porque as eleições do Brasil são um problema do Brasil. A advertência ecoa como um recado claro de que o Brasil não aceitará tutela externa em seu processo democrático.
A postura de Lula no G7 sinaliza um endurecimento da diplomacia brasileira frente às investidas de Washington, equilibrando firmeza na defesa da soberania com a manutenção dos canais de negociação. O episódio expõe as contradições de uma relação bilateral marcada por assimetrias de poder que o governo brasileiro demonstra não estar mais disposto a aceitar passivamente.
Com informações de Metrópoles.