Na cúpula do G7 realizada em Évian-les-Bains, na França, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva usou seu discurso nesta terça-feira para enviar duras críticas ao protecionismo comercial e à tentativa de ingerência externa no combate ao crime organizado — em claros recados ao governo de Donald Trump.
Sem citar nominalmente os Estados Unidos ou o presidente norte-americano, Lula afirmou que ‘o protecionismo e o unilateralismo ressurgem como respostas falaciosas para a complexidade dos nossos problemas’. A declaração, segundo a coluna de Igor Gadelha no Metrópoles, foi interpretada como uma reação direta às propostas do governo Trump de sobretaxar produtos brasileiros com alíquotas de 12,5% a 25%.
O presidente brasileiro reforçou que o neoliberalismo agravou a desigualdade e a crise política nas democracias, apresentando o protecionismo como uma solução enganosa. Esta postura ocorre em um contexto onde os Estados Unidos designaram facções como o Comando Vermelho e o PCC como grupos narcoterroristas, uma medida que, sob a lei americana, poderia abrir caminho para ações unilaterais e potencial interferência no Brasil, reiterando preocupações com a soberania nacional.
No mesmo discurso, Lula defendeu que o combate ao crime transnacional deve respeitar a autonomia dos Estados. ‘Esse esforço deve levar em conta o respeito à soberania dos Estados’, sublinhou, ao cobrar que a cooperação internacional, inclusive via Interpol, seja ampliada sem atropelar a autoridade de cada país. Ele classificou a declaração dos líderes do G7 sobre o tráfico de drogas como ‘um passo positivo’, mas advertiu que o enfrentamento ao narcotráfico não pode se dissociar da lavagem de dinheiro e do tráfico de armas.
Lula também apontou a queda de 23% na ajuda oficial ao desenvolvimento enquanto as potências gastam quase US$ 3 trilhões anuais em despesas militares. ‘O déficit que enfrentamos é de implementação e de vontade política’, criticou. O presidente ainda tratou da questão dos minerais críticos, insistindo que os países detentores desses recursos participem das etapas de maior valor agregado, com transferência de tecnologia e formação de capacidades.
A participação brasileira no encontro das principais economias do mundo é um contraponto claro à postura isolacionista e coercitiva que marca a política externa americana atual. Ao erguer a bandeira da soberania e do multilateralismo, Lula reposiciona o Brasil como voz ativa do Sul Global e defensor de regras internacionais mais justas.
Com informações de Metrópoles.