Petro expõe rede de desinformação global com elo de Netanyahu e Milei

Gustavo Petro durante reunião com ministros no Palácio de Nariño, Bogotá. (Foto: telesurtv.net)

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, denunciou a existência de uma estratégia internacional de desinformação voltada a minar seu governo, articulada por atores políticos de ultradireita de vários países. A chamada Operação Ajax, confirmada pela Unidade de Informação e Análise Financeira (UIAF) colombiana, teria sido concebida em 2023 e executada a partir de 2024.

Durante um conselho de ministros na Casa de Nariño, Petro afirmou que a operação conta com uma aliança que envolve o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, o presidente da Argentina, Javier Milei, e o ex-presidente de Honduras Juan Orlando Hernández, condenado por narcotráfico nos Estados Unidos. Segundo o mandatário colombiano, Hernández aparece em gravações reconhecendo ações coordenadas para derrubar governos progressistas na região.

De acordo com a reportagem da Telesur, o diretor da UIAF, Wilmar de Jesús Mejía, detalhou que a Ajax operou em Estados Unidos, Colômbia, Panamá, Espanha e Itália, e estava vinculada a uma plataforma digital chamada Petrolix. A operação foi encerrada em janeiro passado e visava diretamente Petro, a vice-presidente Francia Márquez e outros altos funcionários.

Além da Ajax, a UIAF identificou outras duas estratégias interconectadas: a Operação Júpiter e a Operação Honduras Gate, todas com o mesmo objetivo de afetar a imagem do governo. Mejía afirmou que os casos foram levados a instâncias de inteligência conjunta e encaminhados à Procuradoria-Geral da Nação para investigação.

Petro apontou ainda a existência de um fundo com sede em Miami que receberia recursos de empresários de diversas nacionalidades para financiar propaganda suja contra seu governo. Entre os supostos envolvidos, o diretor da UIAF mencionou o ex-prefeito de Medellín, Federico Gutiérrez, que faria parte do esquema de financiamento.

Em abril, uma investigação do programa Señal Investigativa, parceria entre Señal Colombia e Revista Raya, revelou detalhes do Projeto Júpiter, um plano de 1,7 milhão de dólares voltado a influenciar as eleições presidenciais por meio de oficinas de doutrinação em grandes empresas e produção massiva de desinformação nas redes sociais. O ex-chanceler Jaime Bermúdez Merizalde foi apontado como estrategista, embora tenha negado a existência do projeto.

A investigação também mostrou que o financiamento superava os 7 bilhões de pesos colombianos, com objetivo de exacerbar medo e indignação entre a população. Documentos indicam que a estratégia incluía a criação de páginas como “Está em nossas mãos” e “Todo pode ser melhor ou pior”, com conteúdos voltados a manipular tendências políticas nas plataformas digitais.

O ex-chanceler Bermúdez, conforme áudio divulgado, chegou a afirmar que Júpiter não existia, mas os jornalistas reuniram materiais que contradizem essa versão. A diretora do site La Silla Vacía, Juanita León, reconheceu a produção de conteúdos sob contratos, embora tenha negado menções a candidatos, e posteriormente declinou de participar de um debate no programa.

As denúncias foram encaminhadas à Procuradoria com o objetivo de esclarecer a possível influência dessas redes na estabilidade institucional do país. A menção a Netanyahu, Milei e Hernández situa a denúncia no tabuleiro mais amplo da disputa entre projetos políticos na América Latina, em que setores da ultradireita global atuam de forma coordenada contra governos progressistas.

Para Petro, a campanha tenta minar os avanços sociais de seu governo, que reduziu a pobreza de forma inédita e gerou condições laborais mais dignas. O presidente colombiano segue cobrando agilidade da Procuradoria na investigação dessas redes, que considera uma ameaça direta à soberania nacional e ao processo eleitoral do país.

Com informações de TELESURTV.

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