O presidente do Quênia, William Ruto, enfatizou a determinação da África em transcender o modelo ultrapassado de doador-receptor, buscando parcerias baseadas em igualdade e benefício mútuo. Ele fez essa declaração durante a 52ª Cúpula do G7, realizada de 15 a 17 de junho de 2026, em Évian-les-Bains, na França, onde discursou na terça-feira, 16 de junho. O presidente queniano defendeu uma nova fase para o continente africano, marcando o fim da era das doações e da extração unilateral de recursos.
Ruto criticou a persistente percepção global que frequentemente subestima as vastas oportunidades da África e, por outro lado, exagera seus riscos. Essa visão limitada, segundo ele, contribui para uma arquitetura financeira global injusta, onde as nações africanas enfrentam custos de empréstimos desproporcionalmente altos, apesar de seus sólidos fundamentos econômicos. Ele ressaltou que a África não é um problema a ser resolvido, mas sim uma parte crucial da solução para desafios globais.
Com mais de US$ 4 trilhões em fundos de pensão, ativos de seguros, depósitos bancários e reservas, a África está ativamente construindo instituições financeiras independentes. O objetivo é mobilizar seu próprio capital e salvaguardar sua soberania econômica. O presidente Ruto argumentou que o próximo estágio do crescimento africano depende crucialmente de mecanismos de compartilhamento de riscos mais robustos, que possam atrair tanto investimentos locais quanto internacionais de forma eficaz.
Para exemplificar o potencial e o sucesso dessas abordagens, Ruto mencionou o êxito do Quênia na mobilização de quase US$ 9 bilhões para habitação acessível e outros US$ 1,5 bilhão destinados a programas de cuidados de saúde universal. Ele também destacou o seguro de desenvolvimento de comércio e investimento africano (ATIDI) como um modelo eficiente para canalizar apoio financeiro.
Durante sua participação na Cúpula do G7, que é sediada pela França em 2026, o líder queniano também convocou reformas no sistema financeiro internacional e no Conselho de Segurança das Nações Unidas, visando maior representatividade e legitimidade. Ele criticou as agências de classificação de crédito globais, acusando-as de inflar sistematicamente o perfil de risco da África, prejudicando suas perspectivas econômicas.
O presidente queniano discursou na Sessão de Trabalho G7+ sobre “Promoção de Novas Parcerias e Reconstrução da Solidariedade Internacional”, uma das sessões do evento em Évian-les-Bains. Além do Quênia, outros países como Brasil, Índia e Coreia do Sul foram convidados a participar do encontro, reforçando o debate sobre a inclusão de vozes do Sul Global nas decisões econômicas e políticas globais.
Segundo apontou o portal Sputnik, Ruto enfatizou que a África não está aguardando passivamente por soluções externas. Pelo contrário, o continente está tomando medidas ativas para moldar seu próprio destino econômico, promovendo uma agenda de crescimento impulsionada por seus próprios recursos e visões.
Com informações de Sputnik.