Telescópio na Terra captura imagem de cápsula Artemis II perto da Lua — uma das fotos mais distantes da história

NASA Headquarters at 300 E Street SW in Washington D.C. Deutsch: NASA Hauptsitz auf der 300 E Stree. Foto: NASA

Uma imagem difusa, capturada pelo proeminente Green Bank Telescope na Virgínia Ocidental, desvela a cápsula Orion da missão Artemis II em órbita lunar a mais de 320.000 quilômetros da Terra. Este registro insólito se posiciona como um forte candidato à fotografia de seres humanos capturada à maior distância já alcançada em nossa história.

Desde seu lançamento do Centro Espacial Kennedy em 1º de abril de 2026, a missão Artemis II da NASA tem proporcionado imagens incríveis, incluindo um lote robusto de 12.000 registros feitos pela própria tripulação. Contudo, uma fotografia peculiarmente desfocada, que retrata a cápsula tripulada como meros pixels em preto e branco, emerge como um contendente formidável à mais impactante da missão, pois foi capturada por um telescópio terrestre a mais de 320.000 quilômetros de distância.

Esta distinção eleva o registro à categoria de candidata a fotografia de seres humanos realizada à maior distância já alcançada a partir do planeta. Convém notar que imagens célebres como o ‘Pálido Ponto Azul’, embora icônicas, foram capturadas no espaço e não se qualificam para este específico marco terrestre.

A imagem singular, revelada em 6 de maio pelo Observatório Nacional de Radioastronomia (NRAO), provém do telescópio Robert C. Byrd Green Bank (GBT), situado na Virgínia Ocidental. Este instrumento, com seu prato de rádio de 100 metros sobre trilhos circulares, ostenta o título de maior radiotelescópio totalmente direcionável do planeta, desempenhando um papel crucial no rastreamento da cápsula Orion, carinhosamente apelidada de Integrity, ao longo de toda a missão Artemis II.

A imagem pixelada capta as ondas de rádio emanadas pela Integrity enquanto circundava a Lua a impressionantes 3.200 km/h, velocidade equiparável à de um projétil em voo. A cápsula, cujo tamanho se assemelha ao de uma van, encontrava-se a aproximadamente 343.000 quilômetros quando o registro foi feito em 6 de abril, marcando o sexto dia da missão. Este posicionamento implicava que a Integrity estava no mesmo hemisfério lunar visível da Terra, com a fotografia sendo obtida instantes antes ou após a tripulação sumir temporariamente por trás do lado oculto do satélite, culminando na quebra do recorde de maior distância percorrida por humanos desde nosso planeta.

Embora, à primeira vista, a fotografia possa parecer despretensiosa, ao se considerar o que está sendo observado e a proeza tecnológica envolvida em sua captura, sua relevância se amplifica. “Há quatro pessoas nesses pixels”, declarou Will Armentrout, astrônomo do Green Bank Telescope (GBT), que auxiliou no rastreamento da Artemis II, aos seus colegas ao vislumbrar a imagem pela primeira vez, conforme nota do Observatório Nacional de Radioastronomia (NRAO).

A bordo da Integrity estavam o comandante da missão Reid Wiseman, o piloto Victor Glover e a especialista em missão Christina Koch, todos da NASA. Juntamente a eles, o especialista em missão Jeremy Hansen, da Agência Espacial Canadense, completava a tripulação, com cada um quebrando um recorde individual de viagem espacial durante a histórica jornada.

O envio da tripulação da Artemis II em direção à Lua foi realizado a bordo do colossal foguete Space Launch System, da NASA. A cápsula amerissou no oceano Pacífico em 10 de abril, após uma reentrada na atmosfera terrestre a vertiginosos 40.000 km/h, consolidando-se como a velocidade mais elevada já atingida por seres humanos.

Durante a odisséia espacial, a audiência global acompanhou o fluxo contínuo de eventos, que variaram desde desafios iniciais com o sistema sanitário e incidentes de impacto de meteoroides lunares, até uma comovente homenagem à falecida esposa do comandante Wiseman e uma entrevista de teor bastante constrangedor com o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Para mais detalhes sobre a missão Artemis II, o portal Live Science publicou uma reportagem abrangente em 14 de maio de 2026. Contudo, não foram apenas os entusiastas que mantiveram o olhar fixo no cosmos.

A equipe do GBT, com sua expertise, manteve uma vigilância constante sobre a Artemis II, contribuindo para o rastreamento preciso do avanço da tripulação durante períodos de observação de seis horas em cada um dos cinco dias em que a Integrity esteve mais próxima da órbita lunar. A sensibilidade e precisão inigualáveis do telescópio proporcionaram dados cruciais, os quais serão instrumentalizados pela NASA para o planejamento de futuras missões Artemis, que visam o estabelecimento de uma base permanente na Lua.

“Com o GBT, rastreamos o movimento da espaçonave com uma precisão de 0,2 milímetros por segundo, em alinhamento com as projeções calculadas pela NASA”, afirmou Anthony Remijan, diretor do sítio do Green Bank Telescope (GBT), em comunicado oficial. Ele ilustrou a acurácia: “É análogo a possuir um velocímetro veicular capaz de registrar sua velocidade com uma exatidão de 0,0004 casas decimais por hora.”

Este feito representa um exemplar primoroso da colaboração internacional entre instituições científicas, convergindo esforços para o sucesso da missão. “Para concretizar grandes proezas, como as que estamos realizando nesta cápsula, é imperativo contar com uma vasta equipe de apoio”, declarou Jeremy Hansen, da Agência Espacial Canadense, em entrevista concedida a bordo da Integrity.

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