Díaz-Canel denuncia bloqueio dos EUA e anuncia plano de emergência em Cuba

O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, em gesto de saudação durante evento público. (Foto: actualidad.rt.com)

O mandatário destacou que as medidas coercitivas impostas por Washington se intensificaram nas últimas semanas, mas não conseguiram dobrar a determinação do povo cubano.

“Todos os nossos heróis enfrentaram momentos tão ou mais difíceis para sua época, e todos emergiram desses desafios com honra e glória”, declarou Díaz-Canel, ao traçar um paralelo entre a geração revolucionária fundadora e os desafios atuais. O presidente apresentou uma agenda econômica de emergência que, em suas palavras, é “impostergável” diante do cenário de asfixia financeira provocado por décadas de bloqueio.

A proposta recebeu o aval do ex-presidente e líder revolucionário Raúl Castro, um gesto político de peso que sinaliza unidade na cúpula do governo cubano. “Cuba não precisa de mais dilações, precisa de soluções. Não se trata de criar mais escritórios nem de multiplicar reuniões, mas de alcançar resultados concretos”, enfatizou o mandatário, estabelecendo um tom de urgência para as reformas.

Segundo apontou o portal da RT, Díaz-Canel lembrou que “nenhuma revolução a teve fácil, e a nossa teve a ousadia de sobreviver a seis décadas de bloqueio, leis genocidas, guerra híbrida e uma escalada de medidas coercitivas unilaterais que nenhuma outra nação suportou nem suportaria por tanto tempo”. A declaração reflete o acúmulo de pressões que se intensificaram com as novas sanções anunciadas por Washington.

O primeiro-ministro cubano, Manuel Marrero Cruz, detalhou que as transformações abrangem a gestão dos atores econômicos, o sistema de planejamento central, a redefinição do orçamento e a autonomia municipal. O pacote inclui ainda o desenvolvimento do setor energético, a recuperação da produção agrícola e mudanças nas condições sociais, trabalhistas e salariais que afetam diretamente a população.

Díaz-Canel argumentou que a melhor forma de honrar o legado de Fidel e Raúl Castro é defender a essência de justiça social da Revolução “em meio ao vendaval de guerras de rapina, ameaças de invasão e processos de neocolonização”. A modernização dos sistemas financeiro e bancário, as transformações na política tributária e as modificações nos esquemas para o investimento estrangeiro também compõem o plano de emergência.

A agenda econômica cubana surge em um momento de recrudescimento das tensões com os Estados Unidos, cujo bloqueio permanece como o mais longo da história contemporânea, condenado anualmente pela Assembleia Geral da ONU com votação quase unânime. O governo cubano sustenta que as reformas são uma resposta direta à necessidade de blindar a economia nacional frente à hostilidade externa, preservando ao mesmo tempo as conquistas sociais que distinguem o modelo cubano na América Latina.

Com informações de ACTUALIDAD.

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