O escândalo do Banco Master ganhou mais um capítulo delicado para o governo Lula. Documentos revelados nos desdobramentos da investigação mostram que uma empresa ligada à nora do senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, recebeu cerca de R$ 12 milhões do Banco Master por contratos de prospecção de operações de crédito consignado.
A empresa citada é a BN Financeira, que tem como sócia Bonnie Bonilha, casada com Eduardo Sodré, enteado de Jaques Wagner. Os pagamentos teriam sido realizados entre 2022 e 2025, período em que a empresa mantinha contrato com a instituição controlada por Daniel Vorcaro.
Segundo informações divulgadas anteriormente, a empresa foi contratada para atuar na prospecção de convênios e operações de crédito consignado para o Banco Master. O sócio da empresa, o advogado Moisés Dantas, confirmou a existência do contrato e afirmou que o trabalho consistia na indicação e captação de oportunidades de negócios, negando qualquer irregularidade.
O caso ganha relevância política porque ocorre no momento em que a Polícia Federal amplia as investigações sobre as relações do Banco Master com autoridades, empresas e agentes públicos de diferentes correntes políticas. A revelação dos pagamentos coloca o nome de Jaques Wagner no centro de um debate que já atingiu governadores, fundos de pensão, empresários, ministros e lideranças partidárias.
Em nota divulgada anteriormente, Jaques Wagner afirmou que “jamais participou de qualquer intermediação ou negociação” envolvendo a empresa de sua nora e o Banco Master. O senador também declarou não ter atuado para obtenção de contratos e sustentou que cabe exclusivamente à empresa prestar esclarecimentos sobre suas atividades comerciais.
O novo dado surge poucos dias após buscas autorizadas pela Justiça envolvendo o senador no âmbito das investigações relacionadas ao caso Master, ampliando a pressão política sobre um dos principais articuladores do governo Lula no Congresso. Embora não haja acusação formal contra Wagner, a sucessão de revelações aumenta o desgaste para o Palácio do Planalto.
O valor também chama atenção pelo tamanho. Os cerca de R$ 12 milhões colocam a empresa ligada à família do senador entre os maiores recebedores de recursos declarados pelo Banco Master para prestação de serviços, segundo documentos revelados nos últimos meses.
A principal questão agora é saber se os contratos representavam uma relação comercial legítima ou se os investigadores encontrarão elementos que indiquem influência política, favorecimento ou outro tipo de irregularidade. Até o momento, não há acusação formal contra Jaques Wagner, Bonnie Bonilha ou a BN Financeira, e todos mantêm o direito à ampla defesa e à presunção de inocência.
Politicamente, porém, o impacto é inegável. O caso Master, que começou como uma investigação sobre operações financeiras e fundos públicos, continua avançando sobre figuras centrais da política brasileira e já alcança nomes relevantes tanto da oposição quanto da base do governo.