Lula enfrenta tarifaço de Trump e projetos travados após desembarque em Brasília

Entrevista Coletiva - Senador Izalci Lucas (PL-DF) - Senador Izalci Lucas (PL-DF) concede entrevista e fala sobre o cancelamento da sessão do Congresso que votaria dezenas de vetos nesta quinta (18). Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desembarcou em Brasília na madrugada desta quinta-feira com uma lista de pendências urgentes a resolver, cercado pela pressão do novo tarifaço em negociação pelo governo dos Estados Unidos e por um impasse crescente com o Congresso Nacional. Após três dias de agenda na cúpula de líderes do G7 na Europa, o petista enfrenta um cenário doméstico que combina ameaças externas ao comércio brasileiro e a estagnação de pautas prioritárias para o governo.

Segundo apuração do portal Metrópoles, a tensão comercial com Washington ocupa o centro das preocupações do Planalto. O governo norte-americano tem menos de um mês para decidir se impõe sanções econômicas ao Brasil baseadas em investigações do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), que apontam supostas práticas comerciais desleais. Caso confirmadas, as tarifas podem chegar a 37,5%, com uma alíquota adicional de 25% aplicada especificamente contra produtos brasileiros.

Técnicos dos dois países devem se reunir ainda nesta semana, dando continuidade às tratativas iniciadas no mês passado com a criação de um grupo de trabalho bilateral. A avaliação do governo brasileiro é de que a sobretaxa de 25% é negociável mediante concessões, enquanto a tarifa de 12,5% — justificada sob a alegação de que o Brasil não impede a entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado — tende a ser mais difícil de reverter. Essa última medida atinge outros 59 países e é vista como uma forma de compensar uma tarifa anterior de 10% que foi suspensa pela Suprema Corte americana.

O presidente dos EUA, Donald Trump, voltou a fazer declarações confusas sobre o Brasil nesta quarta-feira, afirmando que o país está se tornando “um pouco duro e perigoso politicamente”. Ele demonstrou notório despreparo ao comentar a condenação do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, confundindo-o com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e alegando, falsamente, que se tratava de alguém que estava “concorrendo para cargo público” e “indo bem nas pesquisas”.

Durante a cúpula do G7, Lula trocou cumprimentos com Trump, mas não discutiu a ameaça tarifária. O presidente brasileiro participou de três sessões de debates com membros do grupo e países convidados, abordando temas como reconstrução da solidariedade internacional, crescimento econômico sustentável e implantação segura da inteligência artificial. O Brasil endossou três das oito declarações negociadas ao final do encontro, focadas em segurança digital para menores, cooperação contra o câncer e combate ao narcotráfico.

Na agenda bilateral, Lula manteve reuniões com os presidentes da França, Emmanuel Macron, do Egito, Abdel Fattah El-Sisi, da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, da Suíça, Guy Parmelin, além de encontros com a liderança da Comissão Europeia e do Conselho Europeu. A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, também esteve entre as interlocuções do petista na viagem.

De volta ao Brasil, o presidente encontra um tabuleiro político travado no Senado. A proposta de emenda à Constituição que põe fim à escala de trabalho 6×1, aprovada na Câmara em maio, segue sem despacho do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), para iniciar sua tramitação. A relação entre Lula e Alcolumbre se deteriorou desde que o senador articulou a rejeição da indicação de Jorge Messias, ministro da Advocacia-Geral da União, a uma vaga no Supremo Tribunal Federal.

Outra PEC prioritária mantida em compasso de espera é a da Segurança Pública, que constitucionaliza o Sistema Único de Segurança Pública (Susp) e está parada desde março. O senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) sinalizou nesta quarta-feira que pode assumir a relatoria da matéria a pedido de Alcolumbre. Ex-presidente do Senado e aliado de primeira hora do amapaense, Pacheco ocupa posição estratégica em meio à indefinição sobre a disputa pelo governo de Minas Gerais — cargo para o qual já foi o preferido do próprio Lula.

O governo corre contra o tempo para aprovar as duas PECs antes que o Congresso paralise as atividades por causa das eleições, já que ambas são apostas de Lula para a campanha de reeleição. Completam a lista de prioridades legislativas a atualização do teto do Microempreendedor Individual, a regulamentação da inteligência artificial e a criminalização da misoginia, projeto de lei que aguarda movimentação nas comissões da Câmara.

Nesta quinta-feira, o Congresso fará sessão conjunta para analisar 90 vetos presidenciais, em meio a um ambiente de mal-estar entre Executivo e Legislativo que resiste às tentativas de reaproximação por interlocutores. Na sexta-feira, Lula viaja a Divinópolis, no centro-oeste de Minas Gerais, onde participa da entrega do Hospital Regional administrado pela Universidade Federal de São João del-Rei e intensifica conversas com lideranças locais para unificar apoios em torno de uma candidatura competitiva ao governo do segundo maior colégio eleitoral do país.

Com informações de Metrópoles.

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