A investigação sobre o Banco Master ganhou um novo foco: a suspeita de que o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado, teria atuado para favorecer interesses ligados ao grupo financeiro durante a tramitação de uma emenda no Congresso Nacional.
Segundo informações do Metrópoles, investigadores analisam se houve articulação política em benefício de empresas relacionadas ao conglomerado de Daniel Vorcaro. A apuração faz parte dos desdobramentos da Operação Compliance Zero, que nesta semana levou a Polícia Federal a cumprir mandado de busca e apreensão contra o senador.
O caso ganhou dimensão ainda maior após a PF apontar indícios de possível participação de agente público em irregularidades ligadas ao sistema financeiro nacional. Embora a corporação não tenha detalhado oficialmente todos os alvos da investigação, fontes ouvidas pela Reuters confirmaram que Jaques Wagner foi um dos atingidos pelas medidas autorizadas pela Justiça.
A nova frente de investigação se soma a outras revelações envolvendo pessoas próximas ao senador. Nos últimos meses vieram à tona contratos entre empresas ligadas a familiares de Wagner e o Banco Master, além de suspeitas sobre benefícios que teriam sido concedidos por pessoas ligadas ao grupo de Daniel Vorcaro. Essas informações também passaram a ser analisadas pelas autoridades.
Politicamente, o episódio tem peso significativo. Jaques Wagner é um dos principais articuladores do governo Lula no Congresso e ocupa posição estratégica na relação entre o Palácio do Planalto e o Senado.
Até o momento, não existe acusação formal nem condenação contra o senador. Wagner tem negado qualquer irregularidade e sustenta que jamais participou de intermediações ou negociações em favor do Banco Master. Em declarações anteriores, afirmou estar “tranquilo” em relação às investigações e defendeu que todos os fatos sejam esclarecidos.
O avanço da apuração mostra que o caso Master continua se expandindo. O que começou como uma investigação sobre operações financeiras suspeitas e a atuação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro passou a atingir fundos públicos, empresários, integrantes do Judiciário, políticos da oposição e agora também figuras centrais da base governista.
A principal questão para os investigadores é determinar se houve apenas atuação política regular no processo legislativo ou se existiu algum tipo de favorecimento indevido a interesses privados ligados ao Banco Master. A resposta a essa pergunta pode definir os próximos capítulos de uma investigação que já se tornou uma das maiores crises políticas e financeiras do país em 2026.