PT expõe Flávio Bolsonaro: defesa do Bolsa Família é desespero com queda nas pesquisas

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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, resolveu abraçar o Bolsa Família. A conversão súbita ao programa social que seu pai e ele próprio atacaram repetidamente não convenceu o Partido dos Trabalhadores. A legenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu com uma publicação direta nesta quarta-feira (17/6): ‘Em queda nas pesquisas, Flávio finge até defender Bolsa Família’.

A reação veio após Flávio declarar, na segunda-feira (15/6), que o Bolsa Família é ‘direito adquirido’ dos brasileiros e representa segurança para quem já enfrentou a fome. O problema é o histórico. O PT não deixou passar e resgatou as contradições em vídeo, conforme reportagem do Metrópoles. A peça termina com a frase que sintetiza a estratégia petista: ‘Eles podem até fingir, mas o povo conhece a verdade’.

A fala de Flávio não surgiu do nada. Ela veio logo após a divulgação de uma pesquisa Genial/Quaest que mostrou o presidente Lula com 39% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto o senador do PL registrou 29%. Uma distância de dez pontos percentuais que explica a guinada retórica do bolsonarismo em relação a um programa que sempre atacou.

O ex-presidente Jair Bolsonaro, pai do pré-candidato, nunca escondeu sua hostilidade ao Bolsa Família. Durante seu governo e antes dele, tratou o programa como ‘bolsa esmola’ e criticou a transferência de renda como política de Estado. Flávio, como senador, nunca se destacou como defensor da iniciativa. Agora, com as urnas se aproximando e a rejeição crescendo, o discurso mudou.

Na tentativa de se reposicionar, Flávio defendeu ampliar uma regra já existente: a chamada proteção, que permite ao beneficiário continuar recebendo 50% do valor por até dois anos mesmo depois de conseguir emprego formal. Ele argumentou que muitos têm receio de perder o auxílio ao ingressar no mercado de trabalho.

A proposta, na prática, apenas estende um mecanismo que já funciona. Mas a contradição está no histórico do bolsonarismo. A mesma família política que votou contra programas sociais, que defendeu o fim do auxílio emergencial e que sempre tratou a pobreza como problema de ‘merecimento’ individual agora quer se apresentar como guardiã do Bolsa Família. É um reposicionamento eleitoral que o eleitor mais atento identifica com clareza.

Flávio disse ainda que parte dos beneficiários trabalha na informalidade e evita a carteira assinada por medo de perder a renda do programa. A observação é factual, mas expõe outro problema: o mercado de trabalho precarizado que o próprio campo político dele ajudou a consolidar com reformas e desregulamentações.

O PT acertou ao documentar, e não apenas criticar. O vídeo resgata declarações antigas de Flávio e de Jair Bolsonaro atacando o Bolsa Família e contrasta com a nova retórica do senador. A estratégia é mostrar ao eleitorado que a defesa repentina do programa é oportunismo eleitoral puro.

Com Lula consolidado na liderança e a rejeição a Flávio Bolsonaro atingindo 52% segundo pesquisas recentes, o bolsonarismo tenta se reinventar como defensor dos pobres. O esforço é compreensível do ponto de vista eleitoral. Mas o povo, como lembra o PT, conhece a verdade. Sabe quem expandiu o Bolsa Família e quem sempre votou contra ele no Congresso.

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