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Governo do DF transformou prédios públicos em balcão de vendas do PicPay e depois negou responsabilidade, revela investigação

2 Comentários🗣️🔥 A investigação conduzida pela Polícia Civil e pelo Ministério Público do Distrito Federal revelou que o governo distrital atuou ativamente para promover os serviços do PicPay entre servidores públicos antes de negar qualquer responsabilidade pelos descontos irregulares que depois surgiram na folha de pagamento. A contradição está no centro da operação deflagrada nesta […]

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Ilustração editorial sobre Governo do DF transformou prédios públicos em balcão de vendas do PicPay e depois negou responsabi
Ilustração editorial sobre Governo do DF transformou prédios públicos em balcão de vendas do PicPay e depois negou responsabilidade, revela investigação. (Ilustração: Cafezinho / Wan 2.6)

A investigação conduzida pela Polícia Civil e pelo Ministério Público do Distrito Federal revelou que o governo distrital atuou ativamente para promover os serviços do PicPay entre servidores públicos antes de negar qualquer responsabilidade pelos descontos irregulares que depois surgiram na folha de pagamento. A contradição está no centro da operação deflagrada nesta sexta-feira, que cumpriu 50 mandados de busca e apreensão em Brasília, São Paulo e Curitiba.

De acordo com a decisão judicial que embasou a ofensiva, a Secretaria de Economia do DF encaminhou ofício com caráter de urgência a diversos órgãos do governo para que os serviços da empresa fossem amplamente divulgados entre o funcionalismo. Dias depois, o então secretário de Economia do Distrito Federal, Ney Ferraz, foi além: autorizou que funcionários do PicPay se instalassem nas portarias do anexo do Palácio do Buriti para abordar servidores e oferecer o serviço de antecipação salarial, conforme apurou o portal g1.

O documento obtido pelos investigadores é categórico: dezenas de órgãos públicos foram utilizados como ‘balcão de vendas’ da empresa, com autorização expressa da administração. A Promotoria sustenta que esses fatos contrastam de forma frontal com a postura adotada posteriormente pelos entes públicos, quando passaram a negar envolvimento e a atribuir a gestão das operações a terceiros.

A operação bloqueou quase R$ 90 milhões em contas do PicPay e da Associação dos Servidores do Distrito Federal (ASDF). A Justiça também determinou a apreensão de equipamentos e documentos em endereços ligados aos investigados, entre eles Ney Ferraz, o ex-secretário de Economia do Distrito Federal já condenado por corrupção e lavagem de dinheiro; o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, preso desde abril por suspeita de negócios irregulares com o Banco Master; e o diretor do PicPay, Eduardo Chedid Simões, que já foi indiciado pela CPMI dos Descontos Indevidos do INSS.

Segundo o MP, a chamada ‘taxa de antecipação’ cobrada pelo PicPay funcionava, na prática, como juros disfarçados, em desacordo com as regras que permitiram a operação por meio de descontos em folha. O serviço só foi suspenso após determinação do Tribunal de Contas do DF, cuja auditoria apontou indícios de que a taxa tinha natureza de juros — incompatível com a modalidade autorizada pelo governo.

O papel do Banco de Brasília também está sob escrutínio. O governo contratou o sistema ConsigServ, gerenciado pela empresa Neoconsig, de Curitiba, e repassou o controle e a fiscalização das consignações facultativas ao BRB Serviços S.A., subsidiária integral do BRB. Para o Ministério Público, o modelo de remuneração inverteu a lógica do sistema: a empresa era paga proporcionalmente ao volume de empréstimos processados, de modo que quanto mais o servidor se endividava, maior o faturamento de quem deveria protegê-lo.

Apenas com o ConsigServ, a BRB Serviços faturou R$ 8,9 milhões em 2024. Paralelamente, uma segunda linha de investigação apura a atuação da Associação dos Servidores Públicos do DF, suspeita de usar códigos de ‘plano de saúde’ nas folhas de pagamento para mascarar empréstimos com juros, muitas vezes sem autorização dos servidores. O volume monetário movimentado pela entidade saltou de R$ 3 mil em 2023 para R$ 1,49 milhão em 2025.

Os investigadores apuram crimes contra a economia popular, publicidade enganosa, inserção e modificação de dados em sistemas da administração pública, corrupção ativa e passiva, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Há indícios de captação de senhas e tokens pessoais dos servidores para viabilizar a inserção de descontos na folha sem o devido consentimento.

Em nota, o PicPay afirmou que ‘não reconhece qualquer irregularidade nas operações mencionadas e rejeita a alegação de cobrança indevida’. O BRB seguiu a mesma linha e declarou que ‘não exerce ingerência sobre a contratação, as condições financeiras e o relacionamento entre servidor e a PicPay’. Já a Secretaria de Economia do DF limitou-se a dizer que ‘a investigação tem como objeto a conduta de agentes públicos e não a atuação institucional da Pasta’.

A investigação expõe um circuito que começa com a chancela oficial do governo para capturar clientes dentro das repartições, passa por um sistema de remuneração que incentivava o superendividamento do funcionalismo e termina com a negativa de responsabilidade quando os descontos irregulares vieram à tona. As defesas de Ney Ferraz e Paulo Henrique Costa informaram que ainda não tiveram acesso aos autos.

Com informações de G1.

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Comentários

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Padre Antônio Rocha

19/06/2026

Mais um caso que escancara a podridão moral que toma conta das nossas instituições. Enquanto pregam modernidade e eficiência, viram as costas para a honestidade e o dever de casa. Que Deus tenha piedade desse Distrito Federal que troca a dignidade do serviço público por migalhas de fintechs.

    Mariana Santos

    19/06/2026

    Padre, o problema não é apenas moral — é estrutural. Enquanto o Estado for tratado como extensão do mercado, essas “migalhas de fintech” vão virar política pública, e não adianta rezar: tem que ocupar as ruas e exigir que serviço público não seja mercadoria.


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