O arroz voltou a subir nas prateleiras. Em maio, o produto registrou alta de 1,74%, conforme os dados do Sistema de Recuperação Automática do IBGE, o SIDRA, pressionando o orçamento das famílias depois de meses de alívio.
Apesar do avanço, o ritmo de alta perdeu fôlego em relação a abril, quando o cereal disparou 2,53%. A desaceleração na margem sinaliza que a pressão de curto prazo pode estar arrefecendo, mas ainda é cedo para cravar uma virada de tendência.
O contraste com o mesmo mês do ano passado escancara a volatilidade do grão. Em maio de 2025, o arroz recuava 4,00%. Agora, o índice mensal volta ao campo positivo, evidenciando que os fatores que jogavam os preços para baixo há um ano perderam tração.
Olhando a fotografia mais longa, no entanto, o consumidor ainda respira. O acumulado de doze meses até maio aponta deflação de 16,92% no arroz. É uma queda expressiva, que reflete o ajuste após os picos de anos anteriores e safras robustas.
Esse colchão deflacionário, contudo, está encolhendo. Há um mês, a queda acumulada em doze meses era de 21,61%. Agora, recuou para 16,92%. A diferença mostra que as altas recentes começam a engolir o alívio de longo prazo.
Na comparação com o acumulado de doze meses encerrado em maio de 2025, quando a baixa era de 12,07%, a deflação atual ainda é mais intensa. Mas a aceleração da perda de ritmo acende o alerta para o segundo semestre.
Enquanto o varejo registra essas oscilações, no campo o sinal é oposto. Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, o Cepea, divulgados pelo Globo Rural, mostram que o arroz figurou entre os grãos que exerceram pressão negativa nos preços pagos aos produtores em maio. O varejo, portanto, parece estar recompondo margens que o produtor não está conseguindo capturar.
Com informações de DECO.