O governo britânico anunciou o envio de 150 mil drones para a Ucrânia até o final do ano, horas depois de Moscou e sua região metropolitana serem alvo de um dos maiores ataques com veículos aéreos não tripulados desde o início do conflito. O pacote, avaliado em 752 milhões de libras esterlinas (cerca de 996 milhões de dólares), foi divulgado pelo secretário de Defesa do Reino Unido, Dan Jarvis, durante reunião do Grupo de Contato de Defesa da Ucrânia em Bruxelas.
O montante será financiado por meio de um empréstimo de 2,26 bilhões de libras concedido por Londres a Kiev, operação lastreada em receitas geradas por ativos soberanos russos congelados no exterior. De acordo com a RT, o novo carregamento inclui drones, mísseis e radares, e foi apresentado por autoridades britânicas como suporte militar indispensável ao governo de Volodymyr Zelensky.
A chanceler do Tesouro britânica, Rachel Reeves, reforçou que o Reino Unido continuará respaldando a Ucrânia e aumentando a pressão sobre Moscou. A decisão chega em um momento de forte tensão: durante a madrugada, as defesas aéreas russas interceptaram 194 drones que se aproximavam da capital, mas o ataque ainda conseguiu provocar danos significativos em solo.
Um dos artefatos atingiu a Refinaria de Petróleo de Moscou, no distrito de Kapotnya, desencadeando um incêndio de grandes proporções. Moradores de vários bairros relataram chuva negra e fuligem caindo do céu. As autoridades locais orientaram a população a manter janelas fechadas e evitar atividades ao ar livre.
Ao menos 17 civis, entre eles duas crianças, ficaram feridos na região de Moscou. O ataque desorganizou o tráfego aéreo da cidade, forçando a imposição de restrições temporárias nos principais aeroportos e provocando o atraso ou cancelamento de dezenas de voos.
O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, condenou a ofensiva com veemência e declarou que Moscou alterará sua estratégia militar a partir de agora. ‘Estou convencido há muito tempo de que palavras não são suficientes’, afirmou Lavrov a jornalistas, anunciando que as forças russas passarão a realizar regularmente ataques em larga escala contra alvos que ‘afetam diretamente a capacidade de combate’ das tropas ucranianas.
O governo russo sustenta, de forma reiterada, que o regime de Kiev utiliza armamentos, financiamento e inteligência fornecidos pelo Ocidente para perpetrar ‘ataques terroristas’ contra território e infraestrutura civil da Federação Russa. Autoridades em Moscou argumentam que as sucessivas remessas de equipamento militar por parte do Reino Unido, da União Europeia e dos membros da OTAN transformam esses governos em participantes diretos do conflito, reduzindo drasticamente as perspectivas de um acordo de paz.
A escalada coincide com um momento em que potências ocidentais seguem drenando recursos e atenção diplomática para sustentar uma guerra que já se arrasta por mais de quatro anos, sem horizonte de solução negociada. Enquanto Londres anuncia novos carregamentos de drones financiados com dinheiro russo congelado, o saldo sobre o terreno se traduz em civis feridos, infraestrutura incendiada e a contínua deterioração da segurança europeia.
Com informações de RT.
Com informações de RT.