Comentários sobre: Como Washington sabotou o grande sonho de união latino-americana de Simón Bolívar https://www.ocafezinho.com/2026/06/20/como-washington-sabotou-o-grande-sonho-de-uniao-latino-americana-de-simon-bolivar/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Sat, 20 Jun 2026 13:56:48 +0000 hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 Por: Letícia Fernandes https://www.ocafezinho.com/2026/06/20/como-washington-sabotou-o-grande-sonho-de-uniao-latino-americana-de-simon-bolivar/#comment-850214 https://www.ocafezinho.com/2026/06/20/como-washington-sabotou-o-grande-sonho-de-uniao-latino-americana-de-simon-bolivar/#comment-850214 Há uma espécie de violência epistemológica que se exerce quando reduzimos Bolívar a um mero “liberal frustrado”, como se sua angústia não fosse a de um homem que havia visto, com os próprios olhos, o que o capitalismo em sua fase imperialista faria com os povos colonizados: não apenas extrair riquezas, mas desmontar, sistematicamente, as condições materiais e simbólicas da autonomia coletiva. Quando ele escreveu, em 1829, que os Estados Unidos pareciam destinados pela Providência a “plagar a América de misérias em nome da liberdade”, não estava profetizando com fervor religioso — estava fazendo uma análise concreta do movimento das forças produtivas, da expansão territorial norte-americana sobre territórios indígenas, da consolidação do sistema bancário privado e da subordinação dos mercados latino-americanos ao ciclo de dívida externa que já começava a se articular nas praças de Londres e Nova York. A “Providência” a que se refere não é a divindade transcendente dos sermões, mas a imanência histórica da lei do valor: aquela que transforma a soberania popular em garantia colateral, a terra em ativo financeiro, e o sonho de uma república federada em cláusula de ajuste estrutural.

É por isso que me incomoda profundamente a leitura moralista que transforma a falência do projeto bolivariano em questão de “fraqueza institucional” ou “falta de respeito à propriedade”, como se o problema fosse ético e não estrutural. Não foi a ausência de virtudes cívicas que impediu a criação da Confederação Andina — foi a intervenção direta do Departamento de Estado norte-americano, desde os anos 1820, para minar qualquer tentativa de integração comercial que não passasse por seus portos; foi a compra sistemática de jornais em Caracas, Lima e Santiago para difundir a ideia de que a união era “despotismo disfarçado”; foi a pressão sobre os bancos britânicos para negarem crédito aos governos que adotassem políticas protecionistas ou nacionalizassem recursos naturais. A fraqueza institucional não é causa, mas efeito: ela se instala quando as infraestruturas de poder — ferrovias, telégrafos, bancos nacionais — são deliberadamente fragmentadas, privatizadas ou entregues a concessionárias estrangeiras, como bem lembrou Bia Carioca, embora eu vá além: não se trata só de “propriedade coletiva”, mas da própria possibilidade de constituição de um sujeito histórico capaz de decidir sobre seu destino — algo que o capital financeiro transnacional, desde o século XIX, tem combatido com a mesma ferocidade com que combate hoje os orçamentos participativos, as cooperativas de transporte e os fundos soberanos de investimento.

Quanto àqueles que, como João Batista e Lurdinha, invocam a “desestruturação da família” ou o “fechamento das igrejas” como síntese do colapso latino-americano, há aqui um deslocamento sintomático que merece atenção psicanalítica: é a operação clássica da ideologia burguesa, que transfere para o plano do moral, do sagrado ou do afetivo aquilo que é, em sua raiz, uma relação de exploração material. A família não se desestrutura porque alguém fala de gênero nas escolas — ela se desestrutura quando o salário mínimo não cobre duas cestas básicas, quando a jornada dupla de trabalho impede a convivência entre gerações, quando o sistema de saúde pública colapsa e a maternidade se torna um risco vital. A igreja não fecha porque há menos fé — fecha porque o Estado retira recursos da educação pública para financiar programas confessionais, porque os bancos recusam crédito a comunidades que priorizam a economia solidária, porque o lucro se torna o único critério de viabilidade social. O que chamamos de “crise de valores” é, na verdade, a máscara ideológica da crise do modo de produção: um processo de despossessão tão radical que chega a corroer até mesmo as formas mais elementares de reprodução social. Bolívar sabia disso. Por isso não falou em missa, mas em pão com manteiga — e também em ferrovias, em alfândegas soberanas, em bancos públicos que financiassem a agricultura camponesa. Porque sabia que, sem base material, até a fé vira mercadoria.

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Por: Rubens O Pescador https://www.ocafezinho.com/2026/06/20/como-washington-sabotou-o-grande-sonho-de-uniao-latino-americana-de-simon-bolivar/#comment-850211 https://www.ocafezinho.com/2026/06/20/como-washington-sabotou-o-grande-sonho-de-uniao-latino-americana-de-simon-bolivar/#comment-850211 Em resposta a Lurdinha Deus Acima de Todos.

Lurdinha, a igreja fechou quando o banco do Brasil fechou a agência em São João do Itaperiú — mas foi no governo do Lula que reabrimos com caixa 2 pra comprar pão e leite pra comunidade. Bolívar não falava de missa, mas de pão com manteiga na mesa de todo mundo.

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Por: Lurdinha Deus Acima de Todos https://www.ocafezinho.com/2026/06/20/como-washington-sabotou-o-grande-sonho-de-uniao-latino-americana-de-simon-bolivar/#comment-850210 https://www.ocafezinho.com/2026/06/20/como-washington-sabotou-o-grande-sonho-de-uniao-latino-americana-de-simon-bolivar/#comment-850210 🇧🇷🇺🇸]]> IGREJA FECHANDO, AMÉRICA LATINA DESMORONANDO, E VOCÊS AÍ DEBATENDO BOLÍVAR?! 🙏🇧🇷🇺🇸

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Por: João Batista https://www.ocafezinho.com/2026/06/20/como-washington-sabotou-o-grande-sonho-de-uniao-latino-americana-de-simon-bolivar/#comment-850208 https://www.ocafezinho.com/2026/06/20/como-washington-sabotou-o-grande-sonho-de-uniao-latino-americana-de-simon-bolivar/#comment-850208 Bolívar via o perigo, mas hoje o maior risco não é só Washington — é a desestruturação da família, a banalização do aborto e a ideologia de gênero entrando nas escolas. A Providência avisou, mas muitos preferem o vento da esquerda ao sopro do Espírito Santo.

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Por: Bia Carioca https://www.ocafezinho.com/2026/06/20/como-washington-sabotou-o-grande-sonho-de-uniao-latino-americana-de-simon-bolivar/#comment-850205 https://www.ocafezinho.com/2026/06/20/como-washington-sabotou-o-grande-sonho-de-uniao-latino-americana-de-simon-bolivar/#comment-850205 Em resposta a Maria Antonia.

Maria Antonia, concordo que a fraqueza institucional foi fatal — mas não foi “falta de respeito à propriedade”, foi falta de respeito à *propriedade coletiva*: das ferrovias, dos portos, das linhas de ônibus. Quando Bolívar falava em “união”, ele já imaginava infraestrutura pública como direito, não como mercadoria.

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Por: Maria Antonia https://www.ocafezinho.com/2026/06/20/como-washington-sabotou-o-grande-sonho-de-uniao-latino-americana-de-simon-bolivar/#comment-850204 https://www.ocafezinho.com/2026/06/20/como-washington-sabotou-o-grande-sonho-de-uniao-latino-americana-de-simon-bolivar/#comment-850204 Bolívar não era comunista, era um liberal frustrado com a ganância dos próprios latino-americanos — que trocaram a união por cargos, e a soberania por empréstimos. O problema nunca foi só Washington: foi a nossa fraqueza institucional, a falta de respeito à propriedade, ao contrato, à lei. Liberdade sem responsabilidade vira caos. E caos vira desculpa para mais estado.

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Por: Lucas Gomes https://www.ocafezinho.com/2026/06/20/como-washington-sabotou-o-grande-sonho-de-uniao-latino-americana-de-simon-bolivar/#comment-850202 https://www.ocafezinho.com/2026/06/20/como-washington-sabotou-o-grande-sonho-de-uniao-latino-americana-de-simon-bolivar/#comment-850202 Em resposta a Tonho Patriota.

Tonho, Bolívar não queria mamadeira — queria terra devolvida aos povos originários, minas estatizadas para financiar escolas indígenas e ferrovias que ligassem Quito a Belém sem passar por Miami. A mamadeira já chegou: é o FMI enfiando a colher na nossa política fiscal enquanto o agronegócio desmata o Cerrado pra exportar soja pra China.

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Por: Tonho Patriota https://www.ocafezinho.com/2026/06/20/como-washington-sabotou-o-grande-sonho-de-uniao-latino-americana-de-simon-bolivar/#comment-850201 https://www.ocafezinho.com/2026/06/20/como-washington-sabotou-o-grande-sonho-de-uniao-latino-americana-de-simon-bolivar/#comment-850201 FAZ O L, BOLÍVAR ERA UM COMUNISTA QUE QUERIA INSTALAR A MAMADEIRA NA AMÉRICA LATINA!

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Por: Adriana Silva https://www.ocafezinho.com/2026/06/20/como-washington-sabotou-o-grande-sonho-de-uniao-latino-americana-de-simon-bolivar/#comment-850199 https://www.ocafezinho.com/2026/06/20/como-washington-sabotou-o-grande-sonho-de-uniao-latino-americana-de-simon-bolivar/#comment-850199 Faz o L, vai pra Cuba, Bolívar era comunista disfarçado de libertador!

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