A Marinha da República da Coreia incorporou oficialmente a ROKS Gyeongbuk, segunda fragata da classe Ulsan Batch-III, em uma cerimônia realizada na sede da SK Oceanplant em Goseong, província de Gyeongsang do Sul. O estaleiro sul-coreano conseguiu antecipar a entrega, originalmente prevista para o final de junho, demonstrando capacidade de execução que surpreendeu o setor naval.
Participaram do evento o comandante do 8º Grupo de Treinamento de Combate da Marinha sul-coreana, Hwang Jong-seo, e o chefe do Departamento de Programa de Navios da Administração do Programa de Aquisição de Defesa (DAPA), Choi Sang-deok. Também marcaram presença o vice-governador para Assuntos Econômicos de Gyeongsangbuk-do, Yang Geum-hui, e o CEO da SK Oceanplant, Kang Young-gyu.
A embarcação representa um salto tecnológico significativo para a força naval do país asiático. Com 129 metros de comprimento e 15 metros de boca, a fragata de 3.600 toneladas (4.300 toneladas de deslocamento) alcança velocidade máxima de 30 nós e opera com um sistema de propulsão híbrida, combinando motores diesel e elétricos para maior eficiência e discrição acústica.
A nova fragata foi projetada para substituir as corvetas e fragatas mais antigas da Marinha da Coreia do Sul, incorporando capacidades aprimoradas de detecção e defesa. O programa Ulsan Batch-III prevê a construção de múltiplas unidades, e a ROKS Gyeongbuk é a segunda da série, sucedendo a ROKS Chungnam, entregue anteriormente.
Segundo apurou o portal especializado Naval News, a entrega antecipada tem peso simbólico expressivo porque dissipa as dúvidas que pairavam sobre a SK Oceanplant no início do contrato. A empresa, que só recebeu a designação de contratante de defesa para construção naval em 2017, era questionada por sua experiência limitada em navios de combate de grande porte.
A ROKS Gyeongbuk passou com resultados sólidos por avaliações decisivas, incluindo testes de mar e exercícios de tiro real com canhão naval. O desempenho comprovou a qualidade, a confiabilidade e a maturidade técnica da plataforma, abrindo caminho para a liberação antecipada do navio ao serviço ativo.
O CEO Kang Young-gyu celebrou o marco como uma conquista que materializa a superação das desconfianças iniciais do mercado. “Continuaremos contribuindo para o fortalecimento da Marinha da Coreia do Sul e para o desenvolvimento da indústria de defesa nacional com base em nossas tecnologias acumuladas de construção naval e capacidades sistemáticas de gerenciamento de programas”, afirmou o executivo durante a cerimônia.
A SK Oceanplant planeja agora manter um ritmo de entregas a cada seis meses aproximadamente, com as próximas fragatas da classe — ROKS Jeonnam e ROKS Jeju — já em construção. A cadência industrial revela um ecossistema de defesa naval sul-coreano em franca aceleração, com fornecedores locais integrados e cadeia produtiva verticalizada.
Desde que ingressou no seleto grupo de estaleiros de defesa em 2017, a empresa já entregou mais de 30 embarcações à Marinha e à Guarda Costeira da Coreia do Sul. A trajetória construiu um lastro técnico que agora se projeta para além das fronteiras nacionais: a companhia também assegurou um Acordo-Quadro de Reparação Naval (MSRA) que a habilita a participar de projetos de manutenção e revisão de navios de combate de grande porte, inclusive da Marinha dos Estados Unidos.
A entrega da ROKS Gyeongbuk consolida a Coreia do Sul como um dos polos emergentes da construção naval militar global, com capacidade de projetar, construir e entregar plataformas complexas dentro de prazos desafiadores. O avanço sul-coreano nesse segmento reflete uma estratégia de soberania tecnológica que combina investimento estatal, parceria com a indústria privada e visão de longo prazo para a defesa nacional.
Com informações de NAVALNEWS.