México enfrenta desafio de integrar ciência e indústria

Audiência pública da Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT) no Senado, com participação de representantes do governo e da indústria. (Foto: Flickr - senado)

O México enfrenta um desafio significativo na integração de sua produção científica com o setor industrial, conforme aponta um artigo recente do La Jornada. O país investe apenas 0,3% do PIB em pesquisa e desenvolvimento (P&D), um valor bem abaixo da média de 2,7% dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Além disso, as empresas mexicanas contribuem com apenas 0,05% do PIB para P&D, financiando 16,1% do gasto nacional, o que indica uma baixa demanda por ciência e tecnologia.

Embora o México possua grandes grupos privados, a maioria não compete com tecnologia própria. A estrutura empresarial do país é composta principalmente por bancos, comércios, concessões e minas, mas carece de empresas que invistam em inovação, absorvam doutores e financiem laboratórios. Essa falta de demanda por ciência resulta em uma pesquisa que não se traduz em capacidades nacionais, deixando o país dependente de tecnologia importada.

Outro ponto crítico é a fragilidade do sistema bancário privado mexicano, que não está orientado para financiar o desenvolvimento industrial. A falta de uma banca privada forte e disposta a investir na indústria nacional limita ainda mais a capacidade do país de desenvolver sua própria tecnologia. Em outros países, cientistas transitam entre universidades, laboratórios públicos e empresas tecnológicas, enquanto no México muitos ficam restritos ao ambiente acadêmico, sem que seu trabalho seja absorvido pelo mercado.

O Sistema Nacional de Investigadores (SNII) reflete essa desconexão, com predominância de pesquisadores em ciências sociais e humanidades e menor representação das engenharias. Embora essas áreas sejam importantes, é necessário que a política científica mexicana também se concentre em áreas tecnológicas e industriais para alcançar a soberania tecnológica.

Para superar esses desafios, o artigo propõe uma reforma no SNII, questionando o que o sistema realmente premia: produção acadêmica ou transferência de tecnologia. A sugestão é que o México desenvolva uma estratégia nacional de desenvolvimento que inclua compras públicas tecnológicas, missões estratégicas e financiamento paciente, além de fortalecer a banca privada e as empresas públicas para que contribuam efetivamente para o avanço tecnológico do país.

Enquanto não houver uma ponte entre ciência e indústria, o México continuará a produzir artigos acadêmicos sem impacto industrial e a depender de exportações baseadas em conhecimento externo. A solução passa por menos culto ao paper e mais foco no poder produtivo, integrando a ciência ao desenvolvimento nacional.

Com informações de JORNADA.

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