A gigante indiana Reliance Industries, comandada pelo bilionário Mukesh Ambani, anunciou o lançamento de um assistente de inteligência artificial que atuará diretamente durante ligações telefônicas, mirando os mais de 500 milhões de assinantes da operadora Jio. Batizado de Jio Call Agent, o serviço promete transcrever conversas, gerar resumos e realizar tarefas como pedir transporte, reservar restaurantes e comprar passagens, tudo ativado pelo comando vocal ‘Hey Jio’.
Em sua reunião anual com acionistas em Mumbai, o conglomerado detalhou que a novidade não chegará como um aplicativo à parte, mas sim embutida na própria rede de telecomunicações, apostando que a assistência por IA se torne uma funcionalidade nativa das chamadas. A estratégia reduz a dependência de apps de terceiros e confere à Reliance uma vantagem de distribuição em um mercado de IA cada vez mais disputado.
A ofensiva tecnológica não se limita ao telefone. A empresa também apresentou uma versão turbinada por IA do aplicativo MyJio, capaz de atender a pedidos em linguagem natural, como ativar eSIMs ou selecionar planos de roaming. Além disso, revelou o TeleFrame, uma tela doméstica inteligente que usa agentes de IA para antecipar informações e recomendações, de alertas meteorológicos a lembretes da casa — conceito que ecoa a disputa de gigantes globais como Amazon e Google pelo chamado ‘ambiente de IA’ nos lares.
Os lançamentos marcam a próxima etapa das ambições da Reliance no campo da inteligência artificial, num momento em que a Índia tenta construir capacidades próprias em um setor amplamente dominado por empresas dos Estados Unidos e da China. Ambani, de 69 anos, foi enfático em sua declaração aos acionistas: ‘A Índia não deve ser uma mera consumidora de IA criada em outros lugares. Ela precisa se tornar uma criadora, adotante e líder global em IA.’
Para sustentar esse plano, o grupo vem intensificando parcerias com pesos-pesados como Google, Meta e Nvidia e anunciou, no início do ano, a meta de investir US$ 110 bilhões em infraestrutura de IA. No encontro com investidores, foi revelado ainda um pacote de serviços batizados com o selo JioIQ: JioHealthIQ, JioLearnIQ, JioKrishiIQ e AI Vyapar, voltados para saúde, educação, agricultura e pequenos negócios, e projetados para operar em 22 idiomas indianos.
A investida da Reliance ocorre em meio a uma crescente preocupação com a dependência de modelos estrangeiros. Recentes restrições de acesso a alguns dos modelos mais novos da Anthropic evidenciaram o risco de que decisões tomadas no exterior afetem startups e negócios indianos que constroem produtos de IA — um risco de cadeia de fornecimento que tem incentivado conglomerados locais a erguerem sua própria infraestrutura em vez de alugar a de terceiros.
A reunião também trouxe um anúncio aguardado pelo mercado: o conselho da Jio Platforms aprovou um prospecto preliminar para a oferta pública inicial de ações da empresa, que deverá emitir até 270 milhões de novos papéis. O movimento reforça a preparação para uma estreia na Bolsa que pode ser uma das maiores da história do país, num período em que as ações da Reliance acumulam queda de cerca de 17% este ano.
Outros gigantes indianos, como o Tata Consultancy Services, Infosys e o Grupo Adani, também expandiram suas iniciativas e parcerias em IA com players globais, incluindo Anthropic, Google e OpenAI. Contudo, para a Reliance, as apostas são especialmente altas: Ambani precisa mostrar novas avenidas de crescimento enquanto prepara a Jio para o IPO e tenta consolidar o país como um polo relevante na geopolítica da inteligência artificial, em linha com a busca do Sul Global por soberania tecnológica.
Com informações de TECHCRUNCH.


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