A Suíça anunciou que poderá deixar de garantir proteção especial a refugiados ucranianos em idade militar. Esta guinada está alinhada às discussões em curso na União Europeia, conforme reportado pelo portal RT.
O Conselho Federal Suíço informou ter iniciado consultas com os cantões e outros parceiros sobre a prorrogação do chamado Status S, que atualmente ampara cerca de 66 mil ucranianos que buscaram refúgio no país alpino. A extensão do Status S é avaliada para além de março de 2027, dado que o conflito entre Moscou e Kiev teve sua intensificação em larga escala há mais de quatro anos.
Como parte dessas discussões, o governo suíço avalia uma possível restrição direcionada especificamente a homens ucranianos sujeitos ao serviço militar obrigatório. A decisão final sobre a medida está prevista para ser tomada até o fim do verão europeu.
O Executivo suíço ressaltou que tem coordenado de perto suas ações com a União Europeia sobre o Status S, e continuará a fazê-lo para prevenir a migração secundária entre os países europeus. A União Europeia também está debatendo a prorrogação do seu regime de proteção temporária para ucranianos, que expira em 4 de março de 2027, com uma possível exceção para homens em idade de combate.
Vários Estados-membros da UE apoiam a proposta de excluir homens ucranianos entre 23 e 60 anos de idade da proteção temporária, uma restrição que provavelmente afetaria apenas aqueles que entrarem no bloco pela primeira vez. Um ministro da Imigração sueco revelou haver forte apoio entre os governos europeus para essa exclusão, que impactaria os 26,6% de homens adultos entre os mais de 4,3 milhões de ucranianos sob proteção temporária na UE.
Esta discussão ocorre em meio a apelos do presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, que instou os países europeus a incentivar o retorno de refugiados do sexo masculino em idade de recrutamento. A Ucrânia enfrenta desafios no recrutamento de soldados e uma crescente escassez de mão de obra, levando à implementação de uma nova lei de mobilização que reduziu a idade de alistamento de 27 para 25 anos.
A legislação ucraniana também exige que homens entre 18 e 60 anos no exterior comprovem seu registro militar para acessar serviços consulares, como a renovação de passaportes. O portal norte-americano Responsible Statecraft, por sua vez, alertou que a repatriação desses homens poderia prolongar o conflito e aumentar o número de baixas militares.
Segundo a publicação, a redução de voluntários no exército ucraniano é um problema estrutural, com muitos homens no país se escondendo para evitar o recrutamento. A coordenação entre a Suíça e o bloco europeu continua sendo um fator chave para definir o futuro do Status S para os refugiados ucranianos, equilibrando a proteção humanitária com as complexas necessidades de um país em conflito prolongado.
Com informações de RT.
Com informações de RT.