Datafolha amplia vantagem de Lula e isola Flávio na direita

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O novo Datafolha confirma um cenário que começa a ganhar contornos de estabilidade: o presidente Lula amplia a dianteira e o senador Flávio Bolsonaro assiste, paralisado, à erosão de seu capital eleitoral. A pesquisa, divulgada neste fim de semana, mostra o petista com 41% das intenções de voto no primeiro turno, contra 31% do pré-candidato do PL. A vantagem de dez pontos é a maior registrada nesta série histórica e revela que o escândalo do Banco Master não só não foi absorvido como continua cobrando um preço político permanente.

A análise de Ricardo Noblat, publicada no Metrópoles, propõe uma leitura precisa: o campo bolsonarista esperava que, com o tempo, o envolvimento de Flávio com Daniel Vorcaro — o ex-dono do banco a quem o senador teria pedido recursos para financiar um filme sobre o pai — perdesse tração. Não foi o que aconteceu. Os votos que escaparam após a revelação do caso não voltaram. A curva de intenção de voto de Flávio, que já vinha caindo, estacionou em um patamar de onde não consegue mais ameaçar a liderança de Lula.

O detalhe é revelador. Flávio é o candidato da direita, ungido pelo bolsonarismo e com máquina partidária à disposição. Mas sua campanha patina. Ele não consegue mais se apresentar como novidade e, ao mesmo tempo, carrega o peso de uma agenda de costumes que o isola do eleitorado de centro. O Datafolha confirma que os demais nomes do espectro conservador — Ronaldo Caiado, do PSD, e Romeu Zema, do Novo — não passam de coadjuvantes. Caiado oscila nos 3%, Zema nos 2%. Ambos, na prática, já funcionam como cabos eleitorais involuntários de Flávio, pois seus poucos apoiadores migrarão naturalmente para o candidato bolsonarista no segundo turno. Diferentemente de 2022, quando o então presidente Jair Bolsonaro contava com bases sólidas em Minas Gerais e no Rio de Janeiro, Flávio enfrenta um mapa eleitoral fragmentado e sem entusiasmo regional expressivo.

Mas o problema para a direita não está apenas nos números frios. A estagnação de Flávio ocorre enquanto Lula consolida sua base social. O presidente mantém patamares sólidos entre donas de casa, estudantes e moradores do Nordeste, como outras estratificações da mesma pesquisa já haviam indicado. É um voto ancorado em memória afetiva, em programas como o Bolsa Família e no retorno de uma agenda popular que o eleitor reconhece. A vantagem de dez pontos no primeiro turno, portanto, não é um fato isolado: é a tradução de um enraizamento que ultrapassa a conjuntura e que coloca Lula em posição confortável para ditar o ritmo da campanha.

A pesquisa não chega a medir o eventual impacto da investigação que envolve Jaques Wagner, líder do governo no Senado e ex-governador da Bahia, por sua relação com um ex-sócio de Vorcaro. Mas a própria natureza desse caso ajuda a entender por que Lula sofre menos desgaste. Wagner é candidato à reeleição para o Senado, não à Presidência. A associação é indireta, e a experiência mostra que eleitores separam bem as responsabilidades — especialmente quando o nome na ponta da chapa é Lula, cujo capital político resiste a tempestades desse tipo. A blindagem do presidente tem duas camadas: sua imagem pessoal e a percepção de que os eventuais problemas judiciais atingem aliados, e não o governo central.

A leitura do campo progressista, agora, aposta em três fatores: a estabilidade da dianteira de Lula, o teto cada vez mais evidente de Flávio e a inanição da oposição à direita. A chance de a eleição ser liquidada no primeiro turno, embora não seja garantida, cresce a cada Datafolha. A direita se vê encurralada por um candidato que não decola, por uma plateia que não se entusiasma e por um calendário que avança implacável. Flávio, que já foi tratado como herdeiro natural do bolsonarismo, agora luta para não se tornar o fiador de uma derrota que o campo conservador tenta, a todo custo, evitar. Sem recuperar o centro e sem conseguir transformar os escândalos em contra-ataque, o senador vê o relógio eleitoral correr contra seu projeto de poder.

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