PF bloqueia quase meio bilhão e causa rombo no CV

A Polícia Federal e o Ministério Público Federal deflagraram uma nova fase da Operação Red Fox e atingiram o coração financeiro do Comando Vermelho. A Justiça determinou o bloqueio de quase R$ 500 milhões em bens e ativos ligados a operadores suspeitos de movimentar recursos da facção criminosa no Brasil e no exterior.

A investigação tem como foco uma rede responsável por ocultar, movimentar e lavar dinheiro utilizado para financiar a compra de drogas, armas e a logística da organização criminosa. Segundo a PF, a estrutura operava com ramificações internacionais e utilizava empresas e contas bancárias para dificultar o rastreamento dos recursos.

Entre os principais alvos está Arnaldo Ribeiro, apontado pelos investigadores como um dos operadores financeiros do Comando Vermelho. De acordo com a apuração, ele teria participado de negociações para aquisição de armamento destinado à facção e mantinha contato com lideranças do grupo criminoso no Rio de Janeiro.

Ribeiro foi localizado em uma mansão em Paramaribo, capital do Suriname, onde também foi presa sua esposa, Denise Mendonça. Os dois foram extraditados e presos ao desembarcarem em Belém, no Pará.

Ao todo, a operação cumpriu quatro mandados de prisão preventiva. Além das detenções no Suriname, a PF realizou prisões no Rio de Janeiro e em Tabatinga, no Amazonas, região estratégica por estar localizada na tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru.

Segundo as investigações, um dos presos no Rio utilizava contas pessoais e empresariais para fragmentar recursos e dificultar o rastreamento do dinheiro ilícito. Já o alvo capturado em Tabatinga seria responsável por uma empresa utilizada na engrenagem financeira da facção na Amazônia.

Mesmo com as prisões realizadas, a operação continua em andamento. A PF informou que nove mandados de prisão preventiva seguem em aberto, incluindo alvos considerados integrantes importantes da estrutura criminosa.

O bloqueio de quase meio bilhão de reais é uma das maiores medidas patrimoniais já adotadas contra a facção e busca enfraquecer sua capacidade de financiamento. A estratégia segue uma tendência recente das autoridades brasileiras de concentrar esforços não apenas nas lideranças do tráfico, mas também nos operadores encarregados de sustentar financeiramente as organizações criminosas.

Para investigadores, atingir o fluxo de recursos pode ser tão importante quanto prender traficantes. Sem acesso ao dinheiro utilizado para comprar armas, drogas e manter a estrutura logística, a capacidade operacional das facções tende a ser reduzida significativamente.

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