Banco de Edir Macedo investigado pela PF recebeu aval do governo Tarcísio para operar consignado da PM paulista

A investigação da Polícia Federal contra o Banco Digimais ganhou um novo capítulo com potencial impacto político. Documentos oficiais mostram que a instituição controlada por Edir Macedo recebeu autorização do governo de São Paulo, comandado por Tarcísio de Freitas (Republicanos), para oferecer crédito consignado a policiais militares mesmo em meio a sinais de deterioração financeira do banco.

O credenciamento foi autorizado em julho de 2025 pela Diretoria de Folha de Pagamento do Estado de São Paulo. Pouco depois, em agosto, o Digimais firmou contrato para operar empréstimos consignados junto à Polícia Militar, com vigência prevista até 2030. A medida abriu ao banco acesso a um mercado potencial de aproximadamente 80 mil policiais da ativa.

A autorização ocorreu em um momento delicado para a instituição. O Digimais já enfrentava questionamentos sobre sua situação financeira e, meses depois, precisou receber um aporte de R$ 250 milhões de Edir Macedo para atender exigências do Banco Central relacionadas à sua estrutura de capital.

Nesta semana, a Polícia Federal deflagrou a Operação Miragem, que apura suspeitas de fraudes contábeis, manipulação de balanços e ocultação de prejuízos. A Justiça determinou o bloqueio de até R$ 670,3 milhões em bens e valores dos investigados, além da quebra de sigilos bancário e fiscal.

Segundo as investigações, operações envolvendo fundos de investimento teriam sido utilizadas para retirar ativos problemáticos dos balanços e melhorar artificialmente a situação financeira da instituição. A PF apura se essas manobras serviram para ocultar perdas bilionárias e apresentar ao mercado uma condição financeira mais favorável do que a real.

O caso ganha relevância política porque o Republicanos, partido de Tarcísio de Freitas, mantém laços históricos com a Igreja Universal do Reino de Deus, fundada por Edir Macedo. Embora não haja acusação de irregularidade contra o governador, a revelação de que o banco recebeu autorização para operar junto à folha de pagamento da PM paulista em meio à crise financeira amplia o debate sobre os critérios adotados para o credenciamento da instituição.

Além do governo estadual, a Prefeitura de São Paulo também autorizou o Digimais a operar crédito consignado para servidores municipais. Nos dois casos, o banco passou a ter acesso direto a uma das modalidades mais rentáveis e seguras do mercado financeiro: o desconto automático das parcelas na folha salarial dos servidores públicos.

Agora, com a Operação Miragem em andamento e quase R$ 670 milhões bloqueados pela Justiça, a PF busca esclarecer se a real situação financeira do Digimais já era conhecida quando a instituição recebeu autorização para ampliar sua atuação junto ao funcionalismo público paulista.

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