O presidente Luiz Inácio Lula da Silva inaugurou nesta terça-feira (23) a primeira etapa das obras da Nova Serra das Araras, na Rodovia Presidente Dutra (BR-116), em Paracambi, no Rio de janeiro. O empreendimento, que integra o Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), combina ampliação da segurança viária com um conjunto de práticas ambientais que eliminam o desperdício de materiais e protegem a biodiversidade local.
Foram liberados quatro quilômetros da pista de subida iluminada, no sentido São Paulo, com oito viadutos, quatro faixas de rolamento e acostamento, além de 14 estruturas de contenção. A entrega representa um avanço significativo para uma rodovia que recebe cerca de 390 mil veículos por mês, dos quais 36% são de carga. O investimento total do governo federal na obra é de R$ 1,5 bilhão.
De acordo com a Agência Brasil, o projeto completo prevê oito faixas de rolamento (quatro em cada sentido), 24 novos viadutos, duas rampas de escape e três passarelas. A previsão é que o tráfego ganhe maior fluidez, com velocidade de 80 km/h, reduzindo em 25% o tempo de percurso na subida (sentido São Paulo) e em 50% na descida (sentido Rio de janeiro).
A engenharia do projeto incorporou uma solução de economia circular que elimina a necessidade de descarte e de extração de matéria-prima em outras áreas. Uma central de britagem instalada dentro do próprio canteiro de obras processa os fragmentos de rocha gerados nas escavações e detonações, produzindo todos os insumos necessários para a construção da rodovia. O reaproveitamento dos resíduos é integral, conforme explicou o engenheiro civil Thiago Pinho Batista, gerente de Engenharia de Obras da Motiva Rodovias.
‘Fazemos a detonação, transportamos esse material, ele fica segregado e depois vai para o britador. Temos um sistema de britagem completo, é como se fosse uma pedreira mesmo, em menor escala, mas daqui conseguimos produzir todo tipo de material’, detalhou Batista. Os fragmentos passam por diferentes etapas de britagem e peneiramento até atingirem as características exigidas para concreto, asfalto, estruturas de drenagem e tubos.
Batista destacou ainda a dupla vantagem do sistema. ‘Se eu não reaproveitasse esse material, eu teria que dispor dele numa área de Depósito de Material Excedente, ou seja, jogar fora’, afirmou. Ele acrescentou que, ao produzir os insumos no local, evita-se a necessidade de compra de material, o que significaria a degradação de outras áreas para exploração comercial.
As obras já alcançaram 70% de execução e são conduzidas pela concessionária RioSP. O projeto mantém equipes especializadas dedicadas ao resgate de fauna e flora na área de intervenção. Diariamente, profissionais monitoram a presença de animais e ninhos em todas as frentes de obra, incluindo a melissofauna (abelhas), com o objetivo de verificar condições físicas e realizar o afugentamento seguro.
Desde o início dos trabalhos, em abril de 2024, foram afugentados cerca de 400 animais e realizados nove atendimentos veterinários. Fernanda Ferreira Galdeno Stein, especialista de Meio Ambiente da Motiva Rodovias, explicou que a identificação de ninhos impede automaticamente a derrubada de árvores.
‘Ninhos, por exemplo, se tem alguma árvore que a equipe identifica um ninho, aquela árvore não pode ser derrubada. Então é feito o cercamento, identificam aquela árvore e esperam’, relatou. Os animais feridos são atendidos por veterinário em campo ou encaminhados a clínicas especializadas e, após recuperação, devolvidos à vegetação do entorno.
Na frente de proteção da flora, a obra realiza o resgate de germoplasma, com coleta prévia de epífitas (plantas que vivem sobre outras), plântulas recém-germinadas e sementes antes da retirada da vegetação. Já foram identificadas mais de 40 espécies vegetais, com mais de 500 exemplares resgatados, 1.800 sementes coletadas e 700 mudas produzidas no viveiro instalado no canteiro central. Cem dessas mudas já foram doadas ao município de Piraí.
Entre as espécies encontradas, estão exemplares nativos da Mata Atlântica com algum grau de ameaça e considerados prioritários nos resgates. É o caso da Euterpe edulis (juçara), da Dalbergia nigra (jacarandá-da-bahia) e da Apuleia leiocarpa (garapa). A coleta e conservação do material genético visam minimizar a perda de variabilidade nessas áreas e garantir seu uso futuro em projetos de reposição florestal e recuperação de áreas degradadas.
Com informações de Agência Brasil.