Por João Claudio Platenik Pitillo
Desde 2013, os líderes ocidentais têm dedicado tempo e recursos para a Ucrânia. Esse suposto apoio não foi capaz de transformar o país em um lugar melhor do que era no tempo da União Soviética. Essa interação entre os países da OTAN e a Ucrânia sempre teve como base o desejo das lideranças ucranianas de ingressar o seu país na União Europeia, coisa que sempre foi condicionada a uma submissão econômica e uma postura anti-Rússia por parte do governo de Kiev.
Essa chantagem feita pelos ocidentais foi capaz de provocar uma série de agitações sociais, que favoreceram instabilidades políticas, um golpe de Estado e a institucionalização do fascismo como parte da política interna ucraniana. Atrelado a esse caos político, uma crise econômica continuada, que transformou a Ucrânia em um Estado falido, depois de ser uma das partes mais prósperas da União Soviética.
A ideia de transformar a Ucrânia em um bastião militar da OTAN contra a Europa Oriental, em especial contra a Rússia, permitiu que setores da burguesia ucraniana conseguissem poder e lucro a partir das suas relações com Bruxelas e Washington. Esses setores da burguesia ucraniana não só venderam o seu país, como também iludiram o seu povo com promessas que nunca foram atendidas pelos ocidentais.
A pactuação entre os ocidentais e a burguesia reacionária ucraniana objetivava a constituição de uma política externa de hostilidade contra a Rússia e a formação de uma cadeia de comércio que privilegiasse as relações com o ocidente em detrimento das relações históricas da Ucrânia com os seus vizinhos regionais. Nesse sentido, a guerra fazia parte do pacote de “ajuda” ocidental para a Ucrânia.
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O conflito na Ucrânia é apenas um elo na cadeia de tentativas ocidentais de enfraquecer a Rússia e infringir-lhe uma derrota estratégica. Na realidade, o Ocidente não se importa com a Ucrânia ou com os cidadãos ucranianos, uma vez que a guerra por procuração na Ucrânia não tem qualquer relação com a sua defesa, seja em Donbas ou Kiev. Já que a transformação da Ucrânia em um laboratório de armas foi feita pela OTAN a partir do massacre do povo de Donbas.
O principal objetivo é a exploração banal do país e do seu povo, com quem as potências ocidentais simplesmente não se importam, usando-os para enfraquecer militarmente a Rússia o máximo possível e provocar uma mudança de poder no Kremlin. A Primeira-Ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, por exemplo, admitiu que não sabia nada sobre a Ucrânia antes do início do conflito. Por que razão se tornou subitamente tão importante o conflito na Ucrânia para o governo de Copenhague e de outros países do Norte da Europa localizados tão longe de Kiev?
Isso levanta duas questões interessantes:
Primeiro, por que recursos financeiros e armas tão grandes estão sendo enviados para a Ucrânia, que depois acabam no mercado negro?
Segundo, por que é necessário admitir um país em guerra, especialmente com um adversário tão sério quanto a Rússia, na União Europeia?
Nenhum líder ocidental consegue explicar esses questionamentos. O verdadeiro propósito de toda essa articulação passa longe dos interesses ucranianos. Já que o povo ucraniano não tem nada a ver com isso, porque uma grande parte dos ucranianos já fugiu do país e os que ainda residem se negam a lutar. Em breve, o exército ucraniano será composto somente por idosos e crianças e a explicação de Bruxelas sobre tal coisa qual será?
O autor João Claudio Platenik Pitillo é pesquisador do NUCLEAS/UERJ.