A conservadora Keiko Fujimori garantiu a vitória na eleição presidencial do Peru e voltará a colocar o fujimorismo no comando do país após uma das disputas mais apertadas da história recente peruana.
Com 99,8% das urnas apuradas, Keiko alcançou 50,11% dos votos, contra 49,89% do candidato de esquerda Roberto Sánchez, uma diferença de apenas 43.386 votos. Com menos de 41 mil votos restantes para contabilização, as autoridades eleitorais consideram o resultado matematicamente irreversível, embora a proclamação oficial ainda esteja pendente.
Filha do ex-presidente Alberto Fujimori, Keiko chega à Presidência após três derrotas em eleições anteriores. Sua campanha teve como principal bandeira o combate à criminalidade, tema que dominou o debate eleitoral em um país que enfrenta forte instabilidade política há anos.
A vitória marca uma guinada à direita no Peru e ocorre em meio a um movimento semelhante observado em outros países da América Latina. Analistas avaliam que o resultado reflete a insatisfação de parte do eleitorado com a crise política permanente que levou o país a trocar sucessivamente de presidentes nos últimos anos.
Esquerda contesta resultado
O candidato de esquerda Roberto Sánchez se recusou a reconhecer o resultado e denunciou supostas irregularidades na votação realizada por peruanos residentes no exterior. Ele chegou a pedir a anulação de centenas de milhares de votos, mas os órgãos eleitorais rejeitaram o pedido. Observadores internacionais da Organização dos Estados Americanos e da União Europeia afirmaram não ter identificado evidências de fraude no processo.
Desafio será governar um país dividido
Apesar da vitória, Keiko herdará um cenário complexo. O Peru teve sucessivas crises institucionais, trocas de presidentes e confrontos entre Executivo e Congresso na última década. Além disso, a diferença mínima entre os candidatos revela um país profundamente polarizado.
A posse da nova presidente está prevista para 28 de julho, quando ela assumirá um mandato de cinco anos à frente de uma das democracias mais instáveis da América Latina.