“É muita hipocrisia de críticas que não se sustentam. Os fatos se sobrepõem a esse tipo de discurso que, a meu ver, é apenas politiqueiro.” Foi dessa forma que Chagas Vieira respondeu às críticas da oposição à economia cearense durante entrevista ao podcast Caráter, do Jornal Estado. Ao longo da conversa, o ex-chefe da Casa Civil e coordenador da pré-campanha de reeleição do governador Elmano de Freitas alternou ataques a Ciro Gomes e outros adversários com uma defesa detalhada do desempenho econômico do Ceará, destacando indicadores de emprego, crescimento industrial, grandes obras de infraestrutura e investimentos em tecnologia.
Ao comentar os dados da indústria, Chagas argumentou que o desempenho mais moderado registrado em 2026 precisa ser analisado em perspectiva.
“Ano passado, a indústria do Ceará foi a que mais cresceu no Brasil, com mais de 10%”, afirmou. Segundo ele, o crescimento mais modesto deste ano ocorreu sobre uma base já bastante elevada. “Esse crescimento deste ano foi em cima de um outro crescimento. Crescer em cima de um crescimento é diferente.”
Na avaliação do ex-secretário, o Ceará vive um novo ciclo de industrialização.
“A indústria do Ceará tem crescido de forma muito organizada”, afirmou, acrescentando que esse processo também se reflete na geração de empregos.
“O governador que mais gerou empregos na história do Ceará chama-se Elmano de Freitas. São mais de 170 mil empregos gerados no Ceará ao longo desse período.”
Foi a partir desses números que Chagas rebateu diretamente as críticas feitas por Ciro Gomes.
“O candidato Ciro se coloca aí dizendo que a situação da economia está ruim. No tempo dele foi por 40 mil, agora são 170 mil.”
Como exemplo desse novo ciclo industrial, ele destacou o Polo Automotivo de Horizonte, onde a GM passou a fabricar o primeiro veículo elétrico produzido pela montadora na América Latina. Segundo Chagas, por se tratar de uma planta multimarcas, a capacidade poderá chegar a 80 mil veículos por ano.
Ao defender o empreendimento, Chagas lembrou que ele foi instalado na área ocupada anteriormente pela fábrica da Troller, montadora de veículos utilitários pertencente à Ford, encerrada em 2021 durante o governo Jair Bolsonaro.
“A mesma turma que hoje está acusando o Ceará de estar perdendo emprego é a turma que fechou a fábrica da Troller.”
Segundo ele, a política industrial do Estado também aposta na descentralização dos investimentos.
Chagas afirmou que o polo calçadista cearense já é o maior do país e citou a expansão das operações da Grendene para municípios do interior como exemplo da estratégia de levar empregos para além da Região Metropolitana de Fortaleza.
“Quanto mais se instalam longe de Fortaleza, longe da Região Metropolitana, mais benefícios têm”, afirmou ao explicar a política estadual de incentivos fiscais.
Outro eixo da entrevista foi a defesa dos investimentos em infraestrutura logística.
Segundo Chagas, a Ferrovia Transnordestina já deixou de ser uma promessa e representa uma transformação estrutural da economia cearense, com previsão de conclusão em 2027. Ele destacou a construção do porto seco em Quixeramobim como um dos projetos destinados a impulsionar o desenvolvimento do Sertão Central.
Para ilustrar o impacto da ferrovia, fez uma comparação.
“Uma viagem de um trem da Transnordestina equivale a 340 carretas em fila.”
Na avaliação do ex-secretário, o Ceará também se prepara para disputar espaço na economia de alta tecnologia. Ele apontou o hidrogênio verde como uma aposta de médio e longo prazos, com plantas em instalação e protocolos já assinados, e classificou o Estado como protagonista nesse setor.
Questionado sobre adversários que consideram o projeto inviável pelo custo, Chagas rebateu. Lembrou que o Porto do Pecém tem o Porto de Roterdã como sócio, com cerca de 30% de participação, e que os holandeses já investem em armazenagem de amônia em Roterdã antecipando o futuro do hidrogênio.
“O engraçado dessa oposição é que ela só critica, mas não apresenta uma solução.”
No campo da infraestrutura digital, ele citou a instalação da Luz Data Center e, principalmente, do data center do TikTok no Complexo Industrial e Portuário do Pecém.
“O Data Center do TikTok não é promessa, não é conversa, é realidade.”
Segundo Chagas, será o primeiro centro de processamento de dados da ByteDance, empresa chinesa controladora do TikTok, em toda a América Latina, e maior do que todos os data centers já existentes no país somados.
“Não existe um data center deles na América Latina. O primeiro vai ser no Ceará.”
Ele também rebateu críticas sobre o eventual consumo de energia e água pelo empreendimento. Segundo Chagas, o Ceará é excedente na produção de energia e o projeto contará com geração própria a partir de fontes renováveis, eólica e solar. Já o sistema de refrigeração empregará tecnologia de recirculação de água, com consumo diário equivalente ao de uma vila de cerca de 40 casas.
Na avaliação dele, o investimento poderá atrair um conjunto de empresas de tecnologia para o Estado.
“A partir desse data center vai se criar aqui todo um ecossistema digital.”
Ao comentar o cenário internacional, Chagas afirmou que o avanço tecnológico da China abre novas oportunidades para o Ceará.
“Os Estados Unidos estão tremendo com o crescimento da China.”
Segundo ele, diante da crise nas relações com os Estados Unidos e do tarifaço de Donald Trump, o Brasil passou a investir mais na parceria com a China, o que favorece a atração de investimentos para o Estado em infraestrutura digital, energia limpa e indústria.
Durante a entrevista, Chagas também comparou o atual ciclo político iniciado nos governos de Cid Gomes, Camilo Santana, Izolda Cela e Elmano de Freitas com o projeto representado por Ciro Gomes.
“Este projeto aqui levou hospitais para o interior de todo o estado. O outro projeto, representado por Ciro, nunca construiu um hospital regional.”
Na educação, fez comparação semelhante.
“Este projeto aqui está universalizando o tempo integral, e o projeto representado por Ciro nunca fez escola de tempo integral.”
As críticas atingiram também o deputado federal Mauro Benevides Filho.
Questionado sobre a declaração de Mauro de que, até 4 de julho, cerca de 30 prefeitos estariam apoiando uma eventual candidatura de Ciro Gomes ao governo do Ceará, Chagas respondeu de forma contundente.
“Nem vou comentar. Não merece crédito o que ele disse.”
Em seguida, acusou o parlamentar de ter rompido politicamente após não obter espaço na chapa majoritária.
“O cara que estava com a gente num dia dizendo: ‘governador, você é o melhor governador do mundo’. Pediu uma vaga na majoritária, no Senado, e não foi dado a ele. Ficou com raiva e meia hora depois estava do outro lado.”
“Depois está esculhambando a economia do Estado. Não merece nem crédito.”