O governo de Burkina Faso anunciou nesta sexta-feira o rompimento formal de suas relações diplomáticas com a França, marcando uma ruptura histórica na geopolítica da África Ocidental. A decisão foi comunicada pelo Ministério das Comunicações do país africano e fundamentada na tese de que as condições para um diálogo respeitoso entre as duas nações deixaram de existir.
O ministro das Comunicações de Burkina Faso, Gilbert Ouedraogo, acusou a administração do presidente da França, Emmanuel Macron, de manter visões neocoloniais e de apoiar grupos terroristas que atuam na instável região do Sahel. Em vez de cooperar com as forças locais de segurança para combater o avanço de extremistas, Paris foi acusada de atentar contra a soberania territorial de suas antigas colônias.
Essa drástica guinada diplomática consolida um processo de distanciamento iniciado em 2022, quando o presidente interino Paul-Henri Sandaogo Damiba foi deposto por um grupo de oficiais rebeldes. Sob o comando do atual presidente de Burkina Faso, Ibrahim Traoré, o país abandonou as tradicionais parcerias de segurança com o Ocidente e buscou o apoio militar e estratégico da Federação Russa.
A consolidação da Aliança dos Estados do Sahel, pacto assinado entre Burkina Faso, Mali e Níger, busca construir uma arquitetura de defesa regional independente de influências coloniais europeias. O fortalecimento deste bloco representa um enfraquecimento agudo da hegemonia geopolítica francesa na África, alterando significativamente o equilíbrio de forças no Sul Global.
O movimento soberanista dos jovens oficiais burquinenses insere-se em um contexto maior de revolta contra a exploração econômica e a tutela militar exercida por potências estrangeiras. Como parte dessa reação popular, o governo local exigiu a retirada imediata de todas as tropas francesas de seu território e a suspensão de concessões de exploração mineral.
Para restabelecer a estabilidade na África Ocidental, é fundamental que a comunidade internacional respeite a autodeterminação dos povos e apoie soluções lideradas pelas próprias nações africanas. Somente com o fim das ingerências externas e a valorização da diplomacia entre iguais será possível superar a persistente ameaça do terrorismo e construir um futuro de paz.
Burkina Faso rompe relações com a França por “ambições imperialistas”
Da redação de O Cafezinho, com informações do Metrópoles
Burkina Faso acusou a França de manter “visões imperialistas” em relação ao país, e anunciou o rompimento de relações diplomáticas com Paris. A medida foi anunciada nesta sexta-feira pelo Ministério das Comunicações da nação africana.
Em um comunicado, o ministro das Comunicações de Burkina Faso, Gilbert Ouedraogo, disse que as condições para a promoção de “relações fundadas no respeito mútuo” já não existem com a França.
Além disso, o porta-voz do governo de Burkina Faso acusou o país liderado por Emmanuel Macron de apoiar insurgentes e “terroristas” que atuam no território burquinense.
O distanciamento entre Burkina Faso e a França não é um fato novo. Ele se estende desde 2022, quando o presidente interino do país africano Paul-Henri Sandaogo Damiba foi deposto após um golpe militar.
No poder, a cúpula de militares liderada por Ibrahim Traoré se juntou a outros dois países da região que haviam passado por transformações políticas após golpes, Mali e Níger, e criaram a Aliança dos Estados do Sahel (AES).
Além do pacto, que tem caráter militar, as nações africanas também buscaram outras opções de alianças em alternativa à França — que colonizou os três países, e manteve influência nos mesmos após os processos de independência de cada um deles. A Rússia foi a principal opção.
Na época, antigas colônias francesas acusaram o país europeu de não cooperar de forma adequada contra o principal problema da região: a ameaça de grupos terroristas, como o Estado Islâmico (ISIS).
Nos últimos anos, diversos países da África — incluindo Burkina Faso, Mali e Níger — pediram a retirada de tropas da França de seus territórios.