Escândalo do Digimais começa a assombrar Flávio Bolsonaro

A escolha de Daniella Marques para coordenar a área econômica da pré-campanha de Flávio Bolsonaro ganhou um novo fator de desgaste político. A economista, ex-presidente da Caixa no governo Jair Bolsonaro, integrou até dezembro de 2025 o Conselho de Administração do Banco Digi+, instituição ligada a Edir Macedo e agora investigada pela Polícia Federal por suspeitas de gestão fraudulenta e conexões com o Banco Master.

A informação amplia a sombra do sistema financeiro sobre o entorno de Flávio. O senador já vinha sendo pressionado por revelações envolvendo Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, incluindo o pedido de apoio financeiro para a produção do filme biográfico de Jair Bolsonaro, episódio que reacendeu cobranças por uma CPI sobre o banco.

O caso de Daniella não significa, por si só, que ela tenha cometido irregularidades. O ponto político, porém, é outro: a principal formuladora econômica de Flávio teve passagem recente por uma instituição que entrou na mira da PF, no mesmo ecossistema de bancos médios, consignados e operações financeiras que hoje assombra o bolsonarismo.

Segundo o Metrópoles, Daniella Marques esteve no conselho do Digi+ até dezembro de 2025. O banco passou a ser investigado por suspeitas de irregularidades financeiras e ligação com o Banco Master.

A situação é especialmente delicada porque Flávio tenta se apresentar como alternativa presidencial em 2026 com discurso de eficiência econômica, responsabilidade fiscal e reconstrução da confiança empresarial. Mas a sucessão de vínculos entre personagens de sua pré-campanha e instituições financeiras investigadas cria um flanco vulnerável.

O Digi+ também aparece em outra frente sensível. André Fidelis, ex-diretor de Benefícios do INSS preso no escândalo das fraudes previdenciárias, assinou em 2024 acordo que permitiu ao banco operar empréstimos consignados junto a beneficiários da Previdência.

Esse detalhe aumenta o peso político da história. O setor de consignados, especialmente quando envolve aposentados e pensionistas, é uma área de altíssima sensibilidade social. Quando bancos, agentes públicos e operadores políticos aparecem no mesmo tabuleiro, o debate deixa de ser apenas técnico e passa a tocar diretamente em proteção de vulneráveis, fiscalização estatal e captura de políticas públicas.

Para Flávio, o problema é de narrativa. Sua pré-campanha tenta vender estabilidade, competência e equipe técnica. Mas a presença de uma coordenadora econômica associada recentemente a um banco investigado fornece munição para adversários questionarem a composição do projeto.

A direita já enfrenta uma semana difícil, marcada por tensões internas no bolsonarismo, críticas públicas de Michelle Bolsonaro e dificuldades de Flávio para consolidar unidade em torno de sua pré-candidatura. A CNN apontou que o saldo político recente tornou o cenário mais desafiador para o senador, que precisa ganhar tempo, unidade e musculatura eleitoral.

No centro da crise está uma pergunta incômoda: por que tantos personagens próximos ao projeto presidencial de Flávio Bolsonaro orbitam bancos, operações financeiras controversas e investigações da PF?

A resposta ainda depende das apurações. Mas, politicamente, o estrago já começou. O caso Digi+ adiciona mais uma camada ao desgaste de Flávio e reforça a percepção de que sua candidatura nasce cercada por fantasmas financeiros antes mesmo de ganhar forma definitiva.

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