Especialista David Pyne alerta: Trump destruiu o acordo com o Irã com novos ataques militares

Os Estados Unidos lançaram uma série de ataques contra quatro instalações iranianas, incluindo o quartel-general da recém-criada Autoridade de Comércio do Golfo Pérsico do Irã, na noite anterior, em retaliação a um ataque com drone a um navio de bandeira de Singapura no Estreito de Ormuz. A ação ocorre poucos dias após o anúncio de um cessar-fogo abrangente entre os dois países, que já parece letra morta.

Na entrevista ao canal Dialogue Works, conduzida pelo apresentador do Dialogue Works, o analista David Pyne foi taxativo: “O cessar-fogo foi falso desde o início. Ambos os lados o violaram, mas os EUA decidiram responder de forma desproporcional, atacando quatro locais iranianos em vez de um navio, o que mostra que o verdadeiro objetivo é minar a nova gestão iraniana do Estreito de Ormuz”, afirmou.

Pyne explicou que o memorando de entendimento assinado por Trump incluía cláusulas que garantiam a soberania e a integridade territorial do Líbano, implicando a retirada das tropas israelenses. No entanto, um acordo paralelo mediado pelo secretário de Estado Marco Rubio entre Israel e o governo libanês ignorou essa exigência, legitimando a ocupação do sul do Líbano. “É uma violação flagrante do Artigo 1 do memorando. É um absurdo”, criticou o entrevistado.

Segundo David Pyne, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu continua a agir como “parceiro sênior” dos EUA, apesar das broncas de Trump. “Netanyahu é um criminoso de guerra, massacrou 60 mil civis inocentes em Gaza e no Líbano, 20 mil dos quais eram crianças, e fez isso com apoio americano. Trump mandou parar e assinou o cessar-fogo, mas no dia seguinte Israel voltou a bombardear o Hezbollah, matando meninas inocentes”, denunciou.

O analista sugeriu que a única solução viável para o Líbano seria a fusão do Hezbollah com o exército libanês, ideia defendida por um amigo libanês-australiano. “O Hezbollah jamais se desarmará, porque é a força militar mais poderosa do país. Integrá-lo ao exército, comandado por um cristão maronita, seria o ideal”, disse. Pyne alertou que Israel se beneficia da desestabilização de países vizinhos, citando o caos na Síria e o risco de uma nova guerra civil libanesa.

Para David Pyne, a competição entre EUA e Irã pelo controle do Estreito de Ormuz é uma receita para uma guerra sem fim. “Os americanos insistem que o estreito seja livre e que o Irã não o controle, mas o Irã demonstra semanalmente que tem a autoridade final sobre quais navios passam”, concluiu. A entrevista expôs a fragilidade da diplomacia de Trump e o risco de escalada no Oriente Médio, com reflexos que vão do Golfo Pérsico às fronteiras de Israel.

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