Rússia está pronta para guerra com a Europa, alerta Alastair Crooke

O ex-diplomata britânico Alastair Crooke afirmou, em entrevista ao canal Judging Freedom conduzida pelo juiz Andrew Napolitano, que a Rússia está genuinamente preparada para um confronto militar com a Europa. A declaração de Vladimir Putin, feita de forma ostensiva na semana anterior, responde diretamente aos apelos de líderes europeus por uma guerra contra Moscou. Crooke destacou que figuras como Merz, Starmer e Macron têm defendido abertamente o rearmamento e a preparação para um conflito, diferindo apenas quanto ao prazo — 2026 ou 2030. O Reino Unido, em particular, está desenvolvendo novos mísseis de cruzeiro de longo alcance para serem montados em território ucraniano e disparados contra alvos na Rússia.

Segundo Crooke, essa retórica belicista não é apenas propaganda: a Europa busca criar um “campo de batalha” que convença Donald Trump a mudar sua postura. A estratégia incluiu uma reunião prévia entre Alemanha, Reino Unido e França antes da cúpula do G7, na qual o presidente ucraniano Zelensky foi apresentado com imagens de uma igreja danificada em Kiev para sugerir que a Ucrânia está na ofensiva. “A ideia é que Trump concluísse que a Rússia está grande demais e a Ucrânia pequena demais, e que o resultado era inevitável”, explicou Crooke. “O G7 serviu para dizer a Trump: não, a Ucrânia está na frente, e você precisa apoiar essa pressão.”

A resposta russa, conforme Crooke, foi inequívoca: diante das ameaças de ataques com mísseis contra Moscou e São Petersburgo, Putin deixou claro que a Rússia não recuará. O entrevistado ressaltou que a chegada desses artefatos à capital russa, com ogivas parcialmente preenchidas com querosene para gerar efeitos visuais, foi um espetáculo de propaganda, mas a mensagem é séria: “Nós estamos prontos para isso”. Crooke classificou a narrativa ocidental de que a Rússia estaria perdendo a guerra como uma “farsa com intenção sinistra”. A criação dessa imagem visa justificar um envolvimento americano mais profundo e forçar um cessar-fogo que, na prática, significaria a capitulação russa.

Na mesma entrevista, Crooke dedicou grande parte de sua análise à situação do Irã e ao colapso do memorando de entendimento com os Estados Unidos. O documento, que se baseava nos dez pontos originalmente propostos por Teerã, encontra-se hoje “em suporte de vida”, segundo ele. A razão é a constante redefinição dos termos por parte de Trump, que insiste em incluir a questão nuclear nas conversas, apesar de o acordo firmado prever o contrário. “Trump está sempre redefinindo o memorando. Ele diz que já concordaram em falar sobre o nuclear, mas é mentira”, afirmou Crooke.

O impasse gerou uma crise dentro do próprio Irã. A Assembleia de Peritos, órgão responsável por supervisionar a conduta religiosa do país e nomear o Líder Supremo, emitiu um comunicado assinado por 62 dos 86 membros advertindo a equipe negociadora — liderada por Ghalibaf e Araghchi — para que se atenha estritamente às diretrizes originais. “Eles foram colocados sob aviso: se forem brandos com os americanos, serão desautorizados a continuar o processo”, destacou o ex-diplomata. A pressão interna levou o presidente Pezeshkian a percorrer vários aiatolás na tentativa de defender o entendimento, mas as advertências de clérigos seniores foram claras: não se pode ceder em nada.

Crooke também desmontou a encenação norte-americana no Estreito de Ormuz, onde a Marinha dos EUA tentou escoltar petroleiros junto à costa de Omã com amplo apoio aéreo. Os iranianos, no entanto, atacaram as embarcações que ignoraram suas instruções e deixaram claro que controlam a passagem. “Mesmo que consigam passar um ou dois navios, não vão mudar a situação. Os estoques americanos estão zerados e o tempo para reabastecimento é curto, mas a propaganda tenta vender a ideia de que o estreito foi aberto”, ironizou. Tudo isso, segundo o analista, faz parte de um esforço mais amplo de Washington para impor a hegemonia do dólar e manipular os mercados futuros de petróleo, com bilhões em posições vendidas para manter artificialmente o preço baixo. “Nada disso vai dar certo. O Oriente Médio mudou para sempre e o plano israelense para o Irã ruiu completamente”, concluiu Alastair Crooke, em um retrato duro e desafiador do tabuleiro geopolítico atual.

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