Michelle deixa a liderança do PL Mulher e expõe o custo da misoginia na pré-campanha de Flávio em 2026

24.06.2026 - A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro durante pronunciamento oficial do partido. (Foto: Palácio do Planalto)

A saída da ex-primeira-dama do Brasil, Michelle Bolsonaro, da presidência do PL Mulher revela as fraturas expostas de um projeto de poder que se canibaliza internamente. Sua decisão, comunicada ao presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, em Brasília, materializa a crise misógina que corrói a pré-campanha de seu enteado e representa um ponto de inflexão no clã Bolsonaro.

A justificativa oficial, de que se dedicará aos cuidados do marido em prisão domiciliar humanitária, funciona como um frágil biombo para ocultar a verdadeira motivação: o rompimento com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato do partido ao Planalto. Em vídeo recente, a própria Michelle denunciou ter sido ‘humilhada’ e ‘desrespeitada’ pelo enteado em uma ligação telefônica sobre a estratégia eleitoral no Ceará.

A crise escalou com os ataques do comunicador bolsonarista Paulo Figueiredo, que, de seu refúgio em Miami, classificou Michelle como ‘feminista’ e afirmou que ‘mulheres votam muito mal’. Suas falas, transmitidas em uma live, operam como uma terceirização do discurso de ódio que a pré-campanha oficial de Flávio não pode assinar, mas da qual se beneficia para disciplinar suas bases.

A reação institucional veio pela voz da senadora Soraya Thronicke (PSB-MS), que chamou Figueiredo de ‘covarde’ e acionou a Procuradoria-Geral da República por violência política de gênero. Enquanto isso, Figueiredo, já denunciado pela PGR em outro caso, devolveu o ataque com insultos, evidenciando a impunidade com que opera a rede bolsonarista no exterior.

O episódio escancara o teto de vidro que a extrema-direita impõe às suas próprias lideranças femininas, relegando-as a um papel decorativo ou doméstico quando ousam disputar poder real. Este auto-boicote se reflete nas urnas, onde o presidente da República do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, lidera com 15 pontos de vantagem sobre Flávio entre as eleitoras, que representam a maioria do eleitorado.

A nota de desculpas protocolar de Flávio e o unfollow de Michelle nos irmãos Carlos e Eduardo Bolsonaro são apenas sintomas de uma implosão mais profunda. No fim, o bolsonarismo demonstra que sua defesa da ‘família tradicional’ é um verniz para um projeto onde a mulher só tem valor enquanto peça silenciosa no tabuleiro masculino.


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