Lula reabre a vantagem sobre Flávio no Meio/Ideia

A nova pesquisa Meio/Ideia de julho mostra um presidente que recuperou o fôlego na disputa de 2026. No segundo turno, Lula vence Flávio Bolsonaro por 45% a 40%, uma vantagem de cinco pontos que estava perto de sumir dois meses antes. Em abril e maio, o senador chegou a empatar e até passar tecnicamente o presidente nesse mesmo cenário, com 45,8% contra 45,5% e 45,3% contra 44,7%. Desde então recuou, e Lula reabriu a distância.

No 2º turno, Lula reabriu a vantagem sobre Flávio

Na intenção espontânea, quando o eleitor responde sem lista de nomes, a liderança é ainda mais nítida. Lula tem 32,8% e Flávio, 20,3%, uma folga de mais de doze pontos que praticamente não se move desde janeiro. É o tipo de estabilidade que sustenta uma candidatura: o presidente é lembrado de imediato por um em cada três eleitores, enquanto o adversário só encosta na urna estimulada, onde marca 40,4% a 32%.

Na espontânea, Lula mantém a liderança isolada
No 1º turno estimulado, Lula abre 8 pontos

Vale traduzir esses percentuais em gente. O Brasil tem mais de 158 milhões de eleitores aptos a votar em 2026, segundo o TSE, e as mulheres são maioria, cerca de 84 milhões de eleitoras, ou 53% do total. O motor da vantagem de Lula está exatamente aí. Entre as mulheres, ele vence Flávio por 50,4% a 34,2% no segundo turno, dezesseis pontos de diferença, o que projetado sobre o eleitorado equivale a algo como 42 milhões de eleitoras escolhendo o presidente. Entre os homens, que são cerca de 74 milhões, o jogo se inverte e o senador lidera por 46,3% a 39,2%.

O voto feminino sustenta a vantagem de Lula

Esse dado ganha um sabor especial neste ciclo. O influenciador Paulo Figueiredo, um dos nomes da direita digital, afirmou que mulher vota estatisticamente mal, principalmente as solteiras. Na mesma pesquisa em que a frase foi testada, o percentual de mulheres que concordou com ela foi zero, e três em cada quatro disseram discordar. São dezenas de milhões de eleitoras que, segundo a Meio/Ideia, sabem muito bem em quem votar, e a maioria delas vota em Lula.

A base popular reforça o alicerce. Quem ganha até um salário mínimo prefere Lula por 58,8% a 28,4%, e o Nordeste entrega 62,7% contra 24,7%. O presidente também lidera com folga entre católicos, com 55,2%, e em todas as faixas a partir dos 35 anos, incluindo 50% entre os eleitores de 45 a 59 anos e 49% entre os de 60 anos ou mais. É a coalizão histórica do petismo, intacta e ainda majoritária.

Há um ponto de atenção, e ele aparece entre os mais jovens. Na faixa de 16 a 24 anos, Flávio vence o segundo turno por 45,7% a 33,3%, e entre os eleitores de 25 a 34 anos há um empate técnico, com 43,3% a 42%. O antibolsonarismo perdeu terreno para uma geração que se politizou nas redes, e isso é um recado que a esquerda não deveria ignorar. Convém, porém, dimensionar o alerta: os eleitores de 16 a 24 anos são cerca de 21 milhões, algo como 13% do eleitorado, a menor fatia etária, e nessa idade homens e mulheres se dividem quase meio a meio. Enquanto isso, os eleitores de 60 anos ou mais, onde Lula lidera, já são 32 milhões, e o conjunto dos maiores de 45 anos concentra perto de metade dos votos. O bolsonarismo cresce onde há menos urnas em jogo.

As outras derrotas de Lula seguem a mesma lógica de blocos consolidados. O presidente perde de forma esmagadora entre evangélicos, por 61,1% a 18,7%, no Sul, por 54,1% a 16,8%, e entre quem ganha mais de cinco salários mínimos, por 47,9% a 37,6%. São territórios em que o bolsonarismo virou identidade, e não simpatia passageira, mas nenhum deles pesa tanto quanto as mulheres e o eleitorado maduro que hoje sustentam o presidente.

O que segura o adversário é o teto. A rejeição de Flávio permanece alta, e o próprio instituto trata a eleição como decidida por um governo mal avaliado, o que a torna imprevisível. A aprovação de Lula ainda está no vermelho, com 46,5% aprovando e 48,5% desaprovando o trabalho, embora entre as mulheres esse indicador se inverta para 51,7% de aprovação. O retrato de julho é favorável ao presidente, mas depende de manter mobilizados os pobres, o Nordeste e, sobretudo, as eleitoras.

Por fim, convém lembrar de onde vêm esses números. A Meio/Ideia é uma pesquisa simples e barata, feita por telefone e registrada no TSE por 27,6 mil reais, uma das mais em conta do período. A pesquisa nacional mais cara registrada nas últimas semanas foi a Quaest/Genial, que custou 433,3 mil reais, seguida pela Datafolha, com 185,7 mil. A tabela abaixo reúne os principais institutos nacionais e o que cada levantamento custou, um retrato do mercado que vai se intensificar à medida que outubro se aproxima.

Pesquisas nacionais registradas no TSE e seus custos

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