Uma nova pesquisa do instituto Meio/Ideia, divulgada nesta quarta-feira (8), mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na liderança de todos os cenários testados para o primeiro e o segundo turno da eleição presidencial de outubro, com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) consolidado como principal adversário nas simulações — mas perdendo terreno, não ganhando.
Lula cresce, Flávio patina
No cenário principal de primeiro turno, Lula aparece com 40,4% das intenções de voto, contra 32% de Flávio. Na comparação com a rodada anterior do mesmo instituto, feita em maio, o presidente avançou de 38,5% para os atuais 40,4%, enquanto o senador teve crescimento quase imperceptível, de 31,5% para 32% — uma variação dentro da margem de erro, que é de 2,5 pontos percentuais. Na prática, isso significa que toda a distância que separa os dois cresceu por mérito exclusivo de Lula, não por qualquer recuo de Flávio.
Os demais nomes testados seguem irrelevantes nesse recorte: Ronaldo Caiado (PSD) soma 4%, Romeu Zema (Novo) tem 2,5%, e o restante do campo — de Aécio Neves a Cabo Daciolo — não ultrapassa a casa dos 2%.
O instituto também simulou um cenário alternativo em que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro concorreria pelo PL no lugar de Flávio. Nessa hipótese, Lula mantém os mesmos 40,4%, mas Michelle fica abaixo do desempenho do senador, com 29,4% — sugerindo que, ao menos segundo este levantamento, a substituição não representaria ganho eleitoral para o campo bolsonarista.
No segundo turno, vantagem de Lula também recua ligeiramente
Nas seis simulações de segundo turno testadas, Lula lidera em todas — mas o dado mais chamativo é que, no confronto direto com Flávio, a distância diminuiu levemente em relação a maio: de 46,5% a 41,4% para 45% a 40%. É uma pequena aproximação que convive, sem contradição aparente, com o crescimento de Lula no primeiro turno — no dendrograma restante, o presidente varia entre 45% contra qualquer adversário, batendo de Joaquim Barbosa (23%) a Ronaldo Caiado (37,6%), o rival que mais se aproxima do petista nesse recorte.
O contexto que ajuda a explicar o número
Vale registrar o momento em que a pesquisa foi feita: entre 3 e 6 de julho, dias em que Flávio protagonizou o episódio mais desgastante de sua pré-campanha até agora — a ida a Washington para depor na audiência do USTR sobre o tarifaço, na qual admitiu publicamente que sua preocupação central era o calendário eleitoral brasileiro, não o impacto econômico da tarifa sobre o país. O documento de 86 páginas que protocolou pedindo adiamento da decisão americana, seu depoimento ao lado de Eduardo Bolsonaro e a repercussão negativa até entre aliados do próprio campo bolsonarista compõem exatamente a janela captada por este levantamento — o que torna plausível a hipótese de que o episódio tenha corroído, ainda que marginalmente, a imagem do senador junto ao eleitorado mais amplo.
A ressalva de sempre
Como qualquer pesquisa isolada, o levantamento do Meio/Ideia merece ser lido com o cuidado de sempre: é um instituto entre vários que monitoram a corrida presidencial, e cruzamentos com outros institutos — Datafolha, Quaest, entre outros — ao longo das próximas semanas vão ajudar a confirmar se a tendência de consolidação de Lula e patinação de Flávio é estrutural ou apenas o retrato de um momento particularmente ruim para o senador. Ainda assim, o fato de o próprio índice de aprovação do presidente — 46,5% de aprovação contra 48,5% de desaprovação, segundo o mesmo instituto — seguir estagnado em patamar de rejeição relevante indica que a vantagem eleitoral de Lula está menos ligada a uma virada de popularidade do próprio governo do que ao desgaste crescente do principal adversário testado.