Após reunião com Lula, Cid Gomes decide ser candidato ao Senado no Ceará

O presidente Lula (PT) fechou nesta terça-feira (14), em reunião no Palácio da Alvorada, a composição da chapa governista para o Senado no Ceará: o senador Cid Gomes (PSB) disputará a reeleição, com o deputado federal Júnior Mano (PSB-CE) na primeira suplência. O encontro reuniu o governador Elmano de Freitas (PT), que também busca reeleição, e outras lideranças da base aliada no estado.

Um acordo fechado a pedido do próprio Lula

Segundo Elmano, que anunciou a decisão em suas redes sociais, a definição atendeu a um pedido direto do presidente. “Reforçamos a força dessa união pelo Ceará e pelo Brasil”, escreveu o governador, tratando a composição como continuidade de um projeto político voltado ao desenvolvimento do estado. Nos bastidores, o senador Camilo Santana (PT-CE), principal liderança petista no Ceará e hoje à frente da articulação da campanha de reeleição de Elmano, também participou ativamente das negociações que selaram o consenso.

A ironia que a notícia não menciona: os irmãos Gomes em lados opostos

O que o comunicado oficial não precisa dizer — mas que qualquer observador da política cearense reconhece de imediato — é o contraste entre os dois irmãos Gomes neste ciclo eleitoral: enquanto Cid garante a reeleição ao Senado com apoio explícito do governo Lula, seu irmão Ciro Gomes (PSDB) segue como pré-candidato ao governo do Ceará justamente com o apoio do PL — o mesmo partido de Jair e Flávio Bolsonaro —, numa aliança articulada pelo deputado federal André Fernandes (PL-CE) que já provocou uma crise pública dentro do próprio PL, com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro chegando a deixar a presidência do PL Mulher em protesto contra a aproximação com Ciro.

É esse mesmo racha que levou o senador Camilo Santana a classificar publicamente a aliança entre o PL cearense e Ciro Gomes como incoerente, lembrando que o ex-ministro já chamou Jair Bolsonaro de “burro, jumento e ladrão de galinha” antes de se tornar parceiro eleitoral do bolsonarismo estadual. Agora, com Cid consolidado no palanque governista, a disputa cearense de outubro deve reunir, ao mesmo tempo, os dois irmãos Gomes em campos rigorosamente opostos: um como aliado do governo Lula, outro como aposta da direita bolsonarista para desbancar o petismo no estado.

Um acordo que também define, por exclusão, quem fica de fora

A confirmação da chapa Cid Gomes/Júnior Mano encerra as especulações sobre a composição governista para o Senado cearense, mas também deixa claro o desenho da disputa mais ampla: pesquisa Atlas/Focus realizada em junho já colocava Cid na liderança da corrida, com 20,5%, seguido por Capitão Wagner (União Brasil) e Luizianne Lins (Rede), empatados com 18,7%, e Alcides Fernandes (PL) — o outro nome lançado em meio à crise do PL — com 15,4%. Com a definição de hoje, a base lulista consolida seu palanque em um dos redutos eleitorais mais importantes do presidente, justamente no momento em que o campo oposicionista no estado segue tentando administrar as próprias fraturas internas, entre a aliança com Ciro e a resistência interna liderada por Michelle Bolsonaro.

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