Aliados de Flávio Bolsonaro temem que moderação do senador desmobilize a própria base

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Um novo temor passou a circular entre pessoas próximas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ): o de que a estratégia de moderação adotada por ele na pré-campanha presidencial esteja desmotivando justamente o eleitorado mais fiel do bolsonarismo — abrindo caminho para uma vitória do presidente Lula (PT) por margem bem mais ampla do que uma disputa polarizada normalmente produziria. A informação foi publicada pela colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, nesta quarta-feira (15).

O diagnóstico interno: “Flávio paz e amor” não empolga a base radical

Segundo interlocutores ouvidos pela colunista, a avaliação dentro do próprio entorno do senador é a de que o estilo mais comedido de Flávio — evitando confrontos diretos e polêmicas, ao contrário do padrão que caracterizava as campanhas do pai, Jair Bolsonaro — não desperta o mesmo nível de engajamento entre o eleitorado mais radicalizado do bolsonarismo. O receio não é apenas de perder posições nas pesquisas, mas de algo mais estrutural: que uma fatia relevante desse público simplesmente deixe de comparecer às urnas em outubro, elevando a abstenção justamente entre os simpatizantes que mais precisariam se mobilizar para uma disputa competitiva.

Na leitura desses aliados, esse fenômeno pode transformar o que poderia ser um páreo relativamente equilibrado em uma derrota alargada para o campo bolsonarista — não por Lula ter conquistado mais eleitores adversários, mas por Flávio ter deixado de motivar os seus.

Os números que alimentam essa preocupação

A percepção surge no mesmo dia em que a pesquisa Genial/Quaest confirmou a reversão de cenário desde abril: naquele mês, Flávio ainda liderava o segundo turno com 42% contra 40% de Lula; agora, a distância se inverteu drasticamente, com o presidente em 45% contra 37% do senador.

Mas o dado que talvez mais preocupe o entorno de Flávio vem de fora do campo das pesquisas eleitorais tradicionais: o Índice Brasil de Impacto Digital (iBR), calculado pela DSC Lab, que mede o desempenho de figuras públicas nas redes sociais. Segundo o levantamento, Flávio encerrou junho com 73,57 pontos no índice, uma queda de 4,28 pontos frente ao mês anterior. Lula, na direção oposta, avançou 9,51 pontos no mesmo período. O resultado prático: a distância entre os dois no ambiente digital caiu de 32,08 para 18,29 pontos — uma redução de quase metade em apenas um mês, sinal de que o desgaste de Flávio não se limita às pesquisas de intenção de voto, mas já aparece também no engajamento digital, terreno historicamente mais forte do bolsonarismo.

Um dilema estratégico sem solução fácil

O problema que essa preocupação expõe é de difícil resolução prática: adotar um tom mais moderado foi, presumivelmente, uma escolha deliberada da campanha de Flávio para tentar ampliar seu apelo além do núcleo bolsonarista mais radical — mirando justamente o eleitorado independente que, como mostram as pesquisas mais recentes, ainda está em grande parte disponível. Só que, segundo esse novo temor dentro do próprio campo, essa mesma moderação pode estar custando engajamento exatamente onde o senador mais precisa dele: na base histórica que fez de Jair Bolsonaro um fenômeno eleitoral construído sobre intensidade e confronto, não sobre cautela.

É um dilema que resume bem o momento da pré-candidatura: cada ajuste de tom que Flávio tenta fazer para ampliar seu eleitorado potencial parece vir acompanhado de um custo em outra frente — seja o desgaste das crises internas do PL, seja agora o risco de esfriar justamente o público mais disposto a votar nele com convicção.

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