No Ceará, Elmano e Ciro empatam pelo governo — e Cid Gomes lidera a corrida ao Senado que colocou os irmãos em lados opostos

Uma pesquisa Real Time Big Data, divulgada nesta quarta-feira (15), mostra o governador Elmano de Freitas (PT) e o ex-governador Ciro Gomes (PSDB) em empate técnico na disputa pelo Palácio da Abolição: 44% a 40% no cenário estimulado, distância que fica dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. No segundo turno, o quadro se mantém apertado — 47% a 45% —, novo empate técnico. O levantamento ouviu 1.600 eleitores entre os dias 13 e 14 de julho.

Um governo popular que ainda não converte a força toda em voto

A gestão de Elmano tem aprovação de 58% contra 38% de desaprovação — vantagem de 20 pontos que, à primeira vista, deveria facilitar sua reeleição. Mas o próprio levantamento expõe um descompasso entre esse índice e a intenção de voto direta: apenas 27% dos entrevistados dizem que votariam com certeza no governador, contra 20% que afirmam o mesmo sobre Ciro — uma vantagem bem mais estreita do que a diferença de aprovação sugeriria, e que ajuda a explicar por que a corrida aparece tecnicamente empatada mesmo com um governo bem avaliado.

Cid Gomes lidera a disputa que rachou a própria família

Enquanto os dois principais nomes ao governo seguem empatados, o senador Cid Gomes (PSB) aparece na liderança da disputa pelas duas vagas cearenses no Senado, com 26% das intenções de voto — resultado divulgado horas depois da confirmação de sua candidatura à reeleição, selada em reunião com o presidente Lula em Brasília. Capitão Wagner (União Brasil) aparece em segundo, com 22%, seguido por um empate técnico entre Luizianne Lins (Rede) e Alcides Fernandes (PL), ambos com 14%.

A disputa senatorial ganha um contorno particular por reunir, ao mesmo tempo, o irmão do próprio Ciro Gomes na liderança — mas em campo político oposto ao dele: enquanto Cid corre com apoio explícito do governo federal e da base petista, Ciro tenta desbancar exatamente o governador aliado do irmão, com o apoio do PL, partido de Jair e Flávio Bolsonaro. É esse mesmo arranjo que, nas últimas semanas, alimentou a crise pública entre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro, ela contrária à aproximação do PL cearense com Ciro.

O que os números sugerem para outubro

O empate técnico tanto no primeiro quanto no segundo turno indica que o Ceará — um dos estados mais associados historicamente ao petismo, sobretudo pela força de lideranças como Camilo Santana e do próprio Lula — pode se transformar em uma das disputas mais competitivas do país neste ciclo eleitoral, num contraste que chama atenção justamente por ocorrer num estado onde o presidente da República mantém, segundo pesquisas nacionais recentes, um de seus maiores índices de aprovação regional. Se o empate se sustentar até outubro, a disputa deve se decidir menos pela avaliação geral do governo estadual — que já favorece Elmano com folga — e mais pela capacidade de cada campo consolidar, entre os eleitores hoje “indecisos entre conhecer e não votar”, uma adesão mais firme ao candidato até o dia da votação.

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