O conflito entre Estados Unidos e Irã entrou em sua fase mais perigosa desde o colapso do cessar-fogo provisório da semana passada. Forças americanas bombardearam pontes, uma estação ferroviária e um aeroporto em território iraniano, classificando pela primeira vez em mais de uma semana de operações a “infraestrutura logística militar” como alvo explícito — sinal de mudança tática em Washington, que até então concentrava os ataques no litoral sul do país.
Um bloqueio mútuo que já pressiona o petróleo global
O Estreito de Ormuz, rota por onde passa parcela relevante do petróleo comercializado no mundo, está paralisado dos dois lados: o Irã anunciou o fechamento da via, e os Estados Unidos restabeleceram o cerco aos portos iranianos. O resultado já aparece nos preços internacionais — o barril de petróleo subiu para a casa dos US$ 85 nesta semana, patamar que reforça a dinâmica já observada em análises anteriores sobre como esse tipo de escalada tende a beneficiar economias exportadoras de commodities como a brasileira, ainda que às custas do agravamento humanitário na região.
Vítimas civis e infraestrutura destruída
Segundo a mídia estatal iraniana, ao menos cinco pontes foram destruídas no sul do país. No porto de Bandar Khamir, sete pessoas morreram nos ataques contra pontes e a estação ferroviária local. Um aeroporto foi bombardeado em Iranshahr, na fronteira com o Paquistão, e uma mulher morreu — com o filho ferido — em ataque ao porto de Bandar Abbas.
Retaliação iraniana se espalha por quatro países
A resposta de Teerã não ficou restrita ao território americano na região: o Irã confirmou ataques contra bases dos EUA no Kuwait e no Bahrein, e contra uma estação de radar em Omã. Explosões também atingiram Doha, capital do Catar, ferindo uma criança por estilhaços. Em desdobramento inédito neste conflito, o Irã declarou ter disparado contra a Síria, mirando uma suposta base das forças especiais americanas em Tanf — ainda que Damasco sustente que as tropas dos EUA já haviam deixado o local no início do ano; segundo fonte militar síria, os projéteis caíram nos arredores da base, sem vítimas.
Paralelamente, forças navais americanas abordaram o petroleiro Wen Yao no Estreito de Ormuz para fazer valer o bloqueio, com fuzileiros descendo de rapel de um helicóptero até o convés da embarcação — e o serviço de segurança marítima britânico já havia registrado, um dia antes, outro petroleiro atingido por projétil na costa de Omã.
O risco de guerra total ainda não descartado
Trump elevou o tom das ameaças, projetando ataques aéreos em larga escala contra a infraestrutura iraniana e recusando-se a descartar uma incursão terrestre na costa ou nas ilhas do país — segundo fontes do próprio governo americano, a ofensiva no sul do Irã busca abrir um leque mais amplo de opções estratégicas para a Casa Branca. Analistas, porém, alertam que esse tipo de escalada tende a produzir o efeito oposto ao pretendido: Teerã já avisou que, caso Trump cumpra a promessa de atingir instalações estruturais mais profundas, o país responderá atingindo infraestrutura civil de nações aliadas de Washington na região. Há ainda o risco de que aliados do Irã no Iêmen intensifiquem ataques a embarcações comerciais no Mar Vermelho — o que estrangularia ainda mais o fluxo global de energia, numa escalada que, a cada nova rodada, parece menos controlável e mais próxima de um conflito regional de proporções bem maiores do que as observadas até aqui.